Meio Rei, Joe Abercrombie, tradução de Alves Calado, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2016, 288 páginas.
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Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.

Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.

Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.
“Pelos deuses, como ele odiava aquela malha! Como odiava Hunnan, o mestre de armas, que durante tantos anos fora seu principal tormento. Como abominava as espadas e os escudos, detestava o campo de treino e desprezava os guerreiros que faziam dali o seu lar! Acima de tudo, como odiava sua própria mão, que não passava de uma piada ruim, uma lembrança de que ele jamais poderia ser um deles” (pág. 21).

Coração?, Gail Carriger, tradução de Flávia Carneiro Anderson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2016, 320 páginas.
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Escrever sobre os livros da série O Protetorado da Sombrinha é sempre uma missão desafiadora. Muitas vezes faltam palavras que expressem, com a precisão necessária, o prazer que sinto toda vez que embarco em uma nova aventura protagonizada por Alexia Tarabotti, afinal ela e sua criadora são mulheres incríveis.

Gail Carriger escreve Coração? sem ter mais absolutamente nada para provar sobre a qualidade de seu trabalho. Tudo já está evidente desde Alma?, livro que apresentou esse universo fantástico criado pela autora inglesa. O que parece ser o caso é que a autora queria conquistar ainda mais os seus leitores, mesmo porque aqui são encontradas diferenças significativas no enredo, o que não o impede de ser tão empolgante quanto os títulos anteriores. Vale ressaltar, por exemplo, que dessa vez Alexia não está sob ameaça, porém os fantasmas deixam bem claro que alguém quer matar a Rainha. Resultado? Confusão à vista.

Tão logo percebe a gravidade da situação, a protagonista, que está em um momento muito inconveniente para se envolver em grandes emoções, precisa entrar de cabeça na investigação e, com isso, aos poucos desvenda fatos de muito interesse sobre o passado de algumas importantes personagens. A própria motivação para todo o enredo ganha novos ares após o início da investigação, o que obviamente influencia todo o envolvimento com a trama.

Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, Douglas Adams, tradução de Fabiano Morais, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2015, 240 páginas.
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Richard MacDuff é um engenheiro de computação que sempre teve um comportamento exemplar, mas que se sentiu obrigado a escalar o apartamento de sua namorada e roubar a fita com a gravação de uma mensagem que deixou equivocadamente na secretária eletrônica. Perto dali, o detetive Dirk Gently observa tudo através de um binóculo e resolve entrar em contato com Richard, um antigo colega da faculdade, para oferecer seus serviços investigativos.

Esse primeiro contato entre os dois apenas antecede uma série de acontecimentos bizarros, que acaba levando o detetive a perceber que existe alguma ligação entre o comportamento incomum do colega e o assassinato de Gordon Way — chefe de Richard e irmão de sua namorada. Mas além de Richard se tornar o principal suspeito do crime, outras coisas bizarras acontecem com o passar do tempo, criando uma confusão sem lógica que pode salvar a humanidade da extinção.

“Esforçou-se para ouvir o que estava faltando e sentiu que a música era como um pássaro incapaz de voar, mas que não tinha noção da capacidade que perdera. Conseguia andar muito bem, mas andava quando devia alçar voo, mergulhar dos céus, subir às alturas, planar e descer a toda felicidade; andava quando devia vibrar com a alegria de voar. A música nem sequer olhava para cima” (pág. 144).

Inocência?, Gail Carriger, tradução de Flávia Carneiro Anderson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2015, 304 páginas.
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O desfecho do livro Metamorfose? causou um misto de sensações que aumentaram a espera pela publicação do terceiro livro da série O Protetorado da Sombrinha, escrita por Gail Carriger. O final inesperado apenas comprova o motivo de ser uma das séries mais incríveis da atualidade, além de ser considerada a série steampunk mais cultuada do mundo. No entanto, as surpresas anteriores não chegam próximas das que são encontradas em Inocência?.

A nova aventura de Alexia Tarabotti acontece em meio a polêmicas sociais, mas não apenas as fofocas colocam sua vida de cabeça para baixo. Os vampiros de Londres estão dispostos a matá-la, por isso ela se vê obrigada a fugir para a Itália, onde pode se encontrar com os templários — os únicos capazes de revelar alguns mistérios dos preternaturais e, quem sabe, ajudá-la a explicar certos inconvenientes.

Antes da Forca, Joe Abercrombie, tradução de Alves Calado, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 496 páginas.
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Apesar de O Poder da Espada não ser um livro ruim, algumas situações que incomodaram anteriormente me obrigaram a postergar a leitura de sua continuação, Antes da Forca. Algumas vezes por ter outras prioridades, outras apenas por receio de encontrar uma leitura cansativa. Hoje, mais de nove meses depois de ter o livro em mãos, posso dizer que não deveria ter enrolado por tanto tempo.

É bem verdade que o segundo livro de Joe Abercrombie não foi a leitura mais rápida dos últimos tempos, contudo foi possível se surpreender com um enredo mais convincente, cenas memoráveis e algumas explicações fundamentais para o entendimento deste universo. Ainda que também demore a mostrar ao que veio, quando isso acontece o envolvimento é quase imediato.

Queda de Gigantes, Ken Follett, tradução de Fernanda Abreu, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2010, 912 páginas.
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Cinco famílias de diferentes países e classes sociais têm suas vidas interligadas com os acontecimentos que deram origem ao que ficaria conhecido como a Primeira Guerra Mundial. Além dos fatos que contribuíram para o início da guerra, mulheres lutam por direitos iguais, enquanto trabalhadores buscam melhores condições de trabalho e a valorização por parte da alta sociedade.

Pessoas comuns que lutam nas trincheiras, ou simplesmente por seus direitos, são essenciais para o desenvolvimento de tudo que entraria aos livros de história, como as mais importantes e inesquecíveis batalhas e até mesmo a chamada Revolução Russa. São acontecimentos marcantes que dividem espaço com o amor e a amizade, com as dificuldades e as disputas de interesse. São acontecimentos que mudariam a história do mundo para todo o sempre.

“Nos Estados Unidos seria diferente. Tudo lá seria diferente. Os latifundiários norte-americanos não podiam enforcar seus trabalhadores. A polícia norte-americana era obrigada a julgar as pessoas antes de puni-las. O governo não podia sequer prender socialistas. Não havia nobres: todos lá eram iguais, até mesmo os judeus” (pág. 164).

Morte na Mesopotâmia, Agatha Christie, tradução de Milton Persson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 220 páginas.
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A paciente da enfermeira Amy Leatheran é uma mulher muito peculiar e constantemente se sente atormentada por fantasias macabras. Estava claro para todos que ela sentia muito medo, porém ninguém desconfiava do que poderia ser e isso causava uma tensão incomum. Até um misterioso assassinato acontecer e o detetive belga Hercule Poirot ser o único capaz de encontrar o culpado.

“Em matéria de doença, como já tive oportunidade de constatar, os maridos são uma raça de crédulos. No entanto, mesmo assim, não encaixava lá muito bem com o que ouvira dizer. Não combinava, por exemplo, com aquela expressão mais segura” (pág. 18).

Tragédia em Três Atos, Agatha Christie, tradução de Bárbara Heliodora, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 224 páginas.
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Primeiro ato: Stephen Babbington, um velhinho inofensivo, está participando de uma reunião social na casa de um ator quando toma um coquetel e não demora a ir de encontro ao chão e cair morto. Segundo ato: algum tempo depois, o neurologista Sir Bartholomew Strange promove uma nova reunião, com a participação de quase todos os presentes na morte de Babbington, que assistem a mais uma morte com as mesmas características da anterior. Terceiro ato: uma misteriosa mulher recebe bombons envenenados.

Após presenciar a morte de Babbington e afirmar que ele morreu devido aos problemas comuns de sua idade, Hercule Poirot percebe que cometeu um grande engano e está disposto a tudo para corrigir esse erro. Para isso conta com a ajuda de Sir Charles Cartwright e da bela Egg Lytton Gore, que juntos irão tentar descobrir o que motivou essas mortes.

“- (...) Há pessoas com talento especial para naufrágios, mesmo num laguinho ornamental alguma coisa lhes acontece. Do mesmo modo homens como Hercule Poirot não precisam ir em busca do crime... ele vem a ele” (pág. 19).

O Menino dos Fantoches de Varsóvia, Eva Weaver, tradução de Ivar Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2014, 400 páginas.
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A guerra sempre representou a certeza de que a morte poderia chegar a qualquer momento, mas Mika não poderia imaginar que a morte de seu avô não seria apenas o fim da vida de uma pessoa que amava. Poderia representar também a esperança de enfrentar a guerra de cabeça erguida e tudo o que os alemães causavam aos judeus.

Com a morte do avô, Mika herdou um casaco e dentro dele encontrou uma infinidade de segredos e um fantoche de um príncipe que se tornaria o seu melhor amigo. Esse príncipe despertou a vontade do garoto em alegrar os dias das pessoas próximas a ele através de um teatro de fantoches. Em pouco tempo, todas as pessoas do gueto falavam sobre o menino dos fantoches de Varsóvia e sua fama chegaria até mesmo aos inimigos.

“Mas o que dizer de todas as pessoas que eu vi nas ruas naquele dia? E os órfãos? O que é que os meus fantoches idiotas podiam fazer por eles? E Ellie? Qual era o problema com ela? Será que não se importava mais? Joguei o casaco para longe e enterrei a cabeça entre os cotovelos. Sentia saudades do Vovô, e, sim, também sentia saudades de meu pai, uma presença masculina forte que me dispensaria daquela nova responsabilidade que pesava como chumbo em minhas costas e em meu peito” (pág. 76).

Meu Hamster é um Astronauta, Dave Lowe, tradução de Aline Leal, ilustrações de Mark Chambers, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2014, 144 páginas.
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Após precisar da ajuda do seu genial hamster falante para tirar boa nota em Matemática, Ben Travesso volta a precisar do apoio e da genialidade de Cheiroso, dessa vez para construir um foguete para a competição da Feira de Ciências da escola. O grande problema é que ele só possui duas latas de ervilha e raramente consegue fazer algo sem entrar em grandes confusões.

Meu Hamster é um Astronauta é o segundo volume da série Cheiroso & Ben Travesso, série dedicada ao público infantil e que tem como grande qualidade os valores transmitidos através de um enredo simples, porém muito divertido. Na continuação de Meu Hamster é um Gênio, o escritor inglês Dave Lowe segue a mesma estrutura do livro anterior, mas fica claro o amadurecimento da série.

Proibido, Tabitha Suzuma, tradução de Heloísa Leal, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2014, 304 páginas.
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São poucos os livros que mexem com os sentimentos do leitor durante toda a leitura, mas nem mesmo esses podem ser comparados com Proibido, o polêmico e premiado livro de Tabitha Suzuma. Se descrever sensações já é uma missão difícil, com esse livro se torna quase impossível. O mais perto de conseguir é dizendo que a leitura é como apertar, com todas as suas forças, um arame farpado, ou então passá-lo por seu coração até destruí-lo totalmente.

Para não estragar a surpresa, que pode ser incalculável caso a leitura seja feita sem conhecer o enredo, é preciso evitar qualquer revelação sobre a essência de uma verdadeira obra-prima da literatura contemporânea. Mas é possível dizer que as personagens são únicas e que, especialmente pela narrativa em primeira pessoa, o leitor sente suas dores como se fossem os próprios protagonistas.

Par Perfeito, Eleanor Prescott, tradução de Sibele Menegazzi, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2014, 352 páginas.
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Alice Brown trabalha em uma agência de relacionamentos e tem como objetivo ajudar seus clientes a encontrar o par perfeito, por isso ela é considerada uma grande sonhadora e tem obrigação de acreditar em Príncipes Encantados. Ela até busca seu próprio príncipe, mas enfrenta certa dificuldade. Essa dificuldade só não existe quando precisa encontrar alguém para seus clientes.

A nova cliente de Alice é Kate, uma mulher que quer encontrar o amor da sua vida e formar uma família antes dos 35 anos – o que está se aproximando. O problema é que Kate está fora dos padrões e busca um homem dos sonhos, ou seja, perfeito. O desejo da cliente dificulta o trabalho de Alice, que ainda precisa enfrentar sua patroa e ser uma profissional exemplar, além de conviver com outros clientes e levar uma vida no mínimo normal.

“Por mais que tentasse se concentrar em números, não podia evitar imaginar o rosto de um homem. Não qualquer homem. O homem. O perfeito para ela. Ainda não o conhecera, mas ele estava lá fora em algum lugar, disso ela tinha certeza. Era indispensável acreditar nisso, pelo menos no meu ramo, ponderou. Era preciso acreditar em Príncipes Encantados” (pág. 26).

O Vendedor de Armas, Hugh Laurie, tradução de Cassius Medauar, 2ª edição, São Paulo-SP:
Planeta, 2014, 288 páginas.
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Ao receber uma proposta para assassinar um empresário norte-americano, o ex-militar de elite Thomas Lang resolve fazer uma boa ação e alertar o empresário de que ele pode estar correndo risco de vida. Mas as coisas não saem exatamente como o planejado. Lang então se envolve em uma grande confusão mundial e precisa mais do que salvar uma linda mulher que entrou em sua vida. Ele precisa salvar a si mesmo e evitar ao máximo que o jogo de interesses em que se meteu interfira em seus objetivos maiores.

“E por que, acima de tudo, havia uma foto de Sarah Woolf colada na parte de dentro da porta da minha mente, de modo que cada vez que eu a abria para pensar em algo – televisão à tarde, fumar um cigarro escondido no banheiro no fim do corredor ou coçar o meu dedão -, lá estava ela, sorrindo e brava comigo ao mesmo tempo? Bem, pela centésima vez, essa era a mulher pela qual eu definitivamente não estava apaixonado” (pág. 69).

Poder, Sarah Pinborough, tradução de Edmundo Barreiros, 1ª edição, São Paulo-SP:
Única, 2014, 224 páginas.
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Ao ser enviado por seu pai para uma aventura em busca de soluções a um mistério, e principalmente experiência para que no futuro seja capaz de assumir o trono, o príncipe não poderia imaginar que encontraria muitos segredos por trás de um reino que permaneceu adormecido por quase um século.

Quando atravessa a mata fechada e finalmente chega ao seu destino, acompanhado do Caçador e de Petra, ele encontra todas as pessoas adormecidas, incluindo a encantadora Bela. Mas os problemas se iniciam mesmo quando o grupo quebra a maldição e toda a cidade volta ao normal, dando vida também ao que foi capaz de assustar o reino muito antes do início da maldição.

“As mulheres eram de longe o sexo mais sensual, mas a maioria dos homens não sabia como manter esses sentimentos vivos nelas. A maioria dos homens as fazia sentir vergonha de seus desejos, em vez de se deleitar com eles, e depois se perguntava por que as coisas murchavam e morriam entre o casal. Com ele não seria assim, se um dia achasse a garota de seus sonhos” (pág. 88).

Feitiço, Sarah Pinborough, tradução de Edmundo Barreiros, 1ª edição, São Paulo-SP: Única, 2013, 248 páginas.
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Desde que as releituras de contos de fadas se tornaram uma febre em todos os segmentos da indústria do entretenimento, a protagonista mais utilizada foi Branca de Neve, a mais popular das personagens. O problema era que isso já estava causando certa desmotivação. Pelo menos até o lançamento de Feitiço, livro em que Sarah Pinborough utiliza a tão maltratada Cinderela para apresentar um enredo muito mais interessante.

A história de Cinderela também é bem conhecida: uma garota maltratada pela madrasta e suas irmãs, que conta com ajuda de uma fada madrinha para conquistar o príncipe encantado. Mas as aparências enganam e o desejo por um final feliz pode nem sempre ser atendido como o esperado.

Quando a realeza anuncia um baile para encontrar uma noiva para o príncipe, Cinderela rapidamente é descartada por sua família, mas quando menos espera, sua fada madrinha surge para ajudá-la a conquistar o coração do príncipe de seus sonhos. No entanto, para ajudar Cinderela a realizar o seu maior desejo, a fada madrinha precisa de um favor e a moça está disposta a tudo para se tornar a nova princesa. Enquanto isso, Lilith, a madrasta de Branca de Neve, continua usando da sua poderosa magia para realizar suas vontades, ainda que a situação de seu reino esteja cada vez pior.

“Ela empurrou o corpo contra seus dedos e arfava enquanto ele contava a ela histórias de beleza e música até que, por fim, com a mente em um turbilhão de salões de bailes, o príncipe, música e amor, ela estremeceu contra o toque dele” (pág. 30).

Metamorfose?, Gail Carriger, tradução de Flávia Carneiro Anderson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2013, 320 páginas.
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Não dá para negar que Alma?, primeiro volume da série O Protetorado da Sombrinha, foi uma das grandes surpresas do ano, e, também por isso, a segunda aventura de Alexia Tarabotti era aguardada com certa ansiedade. Felizmente somos recompensados com uma nova obra surpreendente e por isso impecável.

Assim como aconteceu anteriormente, Alexia Tarabotti está em meio a um mistério que está abalando a comunidade sobrenatural de Londres. Por algum motivo que todos desconhecem, esses seres estão perdendo seus poderes, como se algo estivesse causando o mesmo efeito do toque de um preternatural como Alexia. Devido a toda influência da protagonista ela pode ser fundamental para solucionar esse intrigante problema, e para isso está disposta a tudo. Até mesmo ir para a Escócia em um dirigível e se encontrar com os estranhos homens vestindo kilts...

“A esposa estava deitada de lado e os pelos do peito do marido lhe faziam cócegas na parte posterior das pernas. O conde ia levantando a camisola da esposa à medida que prosseguia. Deu um beijo logo abaixo de um dos joelhos dela, o que a levou a mover a perna abruptamente. Os pelos do rosto lhe faziam cócegas de um jeito desconfortável” (pág. 130).

Veneno, Sarah Pinborough, tradução de Edmundo Barreiros, 1ª edição, São Paulo-SP: Única (Ed. Gente), 2013, 224 páginas.
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Não é de hoje que os contos de fadas deixaram as páginas dos livros e, ao menos nas versões mais conhecidas, ganharam um toque infantil, que nem sempre condiz com a história original. Mas a lenda diz que de infantil os contos de fadas não têm nada e Veneno tenta explicar o motivo.

Nessa história, a rainha Lilith não age por pura maldade, mas sim devido ao seu passado sofrido; Branca de Neve, além de ser muito mimada, tem atitudes condenáveis para uma princesa; e o príncipe pode até encantar as garotas, no entanto não vai além disso. Em um conto de fadas diferente do que estamos acostumados, iremos perceber que ninguém, absolutamente ninguém pode ser visto como herói ou vilão.

“O príncipe já estava mexendo neles. Será que aquilo era um sonho? Será que ainda estavam caminhando pela noite e aquela era uma ilusão que a qualquer instante ia se desfazer? Será que ela podia estar acordada? Ele desejara aquele momento desde a primeira vez que pusera os olhos nela, e agora tinha acontecido, do nada” (pág. 156).

O Poder da Espada, Joe Abercrombie, tradução de Alves Calado, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Arqueiro, 2013, 480 páginas.
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Três personagens com características distintas e que têm seus destinos cruzados com a volta de um único personagem. Essa é a premissa de O Poder da Espada, primeiro livro da trilogia A Primeira Lei.

Sand Dan Glokta trabalha a serviço da Inquisição de Sua Majestade, utilizando as mais questionáveis técnicas para erradicar a deslealdade, não se importando nem mesmo em torturar os supostos traidores.

Considerado uma verdadeira lenda, Logen Nove Dedos enfrentou muitas dificuldades e sobreviveu a elas de forma cruel, muitas vezes com manchas de sangue. Agora Logen está decidido a mudar e não mais ser lembrado apenas como um temido guerreiro.

Por fim, o jovem Jezal dan Luthar gosta de aproveitar a sua vida com mulheres e sem muitos esforços. Vivendo cercado de regalias, Luthar quer apenas vencer o campeonato de esgrima. Ele só não imagina que todos seus planos podem mudar com uma guerra e com a volta de Bayaz, o Primeiro dos Magos, que acaba de retornar de um exílio que durou séculos.

“Quem está com sede de verdade bebe mijo, água salgada ou óleo, mesmo que faça mal, tamanha é a necessidade de beber. Ferro tinha visto isso nas Terras Ruins. Assim era sua necessidade de matar aquele homem. Queria rasgá-lo com as próprias mãos, arrancar a vida dele esganando-o, retalhar seu rosto com os dentes. O desejo era quase forte demais para resistir” (pág. 260).

Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie, tradução de Archibaldo Figueira, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 2009, 223 páginas.
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Se existe uma autora capaz de surpreender em cada uma de suas obras, essa certamente é Agatha Christie, que não por menos é considerada a “Dama do Crime” e é uma recordista de venda. Além de possuir uma escrita inconfundível, Christie é a criadora de um dos principais personagens da literatura, Hercule Poirot, que protagonizou duas das obras-primas da autora: O Assassinato de Roger Ackroyd e Assassinato no Expresso do Oriente.
Na segunda obra citada, lançada originalmente 1934, Poirot se envolve em um dos seus casos mais enigmáticos enquanto está atravessando a Europa no luxuoso Expresso do Oriente, que misteriosamente possui mais passageiros do que costuma acontecer na época do ano em que se passa a história. O grande problema surge quando, após uma tempestade de neve que impossibilita que o trem prossiga sua viagem, um dos passageiros é encontrado morto, com doze facadas e a porta de sua cabina trancada por dentro.
A intenção do assassino era que sua identidade permanecesse desconhecida, porém a tempestade de neve e a presença de Hercule Poirot estragam todos os planos. Por isso a identidade do verdadeiro assassino está prestes a ser revelada, ainda que inúmeras pistas falsas tentem enganar uma das mentes mais brilhantes da literatura mundial.

Alma?, Gail Carriger, tradução de Flávia Carneiro Anderson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2013, 308 páginas.
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Por mais que tenha uma legião de fãs, chega um momento em que os livros de fantasia podem se tornar cansativos, principalmente quando há o uso de determinados elementos. Justamente por isso havia certo receio em relação ao livro Alma?, apesar de ser o primeiro livro de O Protetorado da Sombrinha, série de steampunk mais cultuada do mundo.

O subgênero da ficção científica costuma abranger outros gêneros e talvez essa união tenha feito grande diferença no livro de Gail Carriger, que é protagonizado por Alexia Tarabotti, uma solteirona de apenas 26 anos e que é filha de um italiano já morto. Alexia é uma mulher diferenciada na sociedade vitoriana, e isso se intensifica quando ela é atacada por um vampiro. Isso não seria um problema caso fosse permitido pelas regras dos seres sobrenaturais. Isso não seria um problema caso ela não fosse uma preternatural e tivesse alma.

Devido ao que acaba de acontecer, a Rainha Vitória envia o lobisomem Lorde Maccon para investigar o ataque e a aparição inesperada do vampiro agressor, ao mesmo tempo em que outros vampiros estão desaparecendo. E por ser uma preternatural e ter o dom de anular o poder dos sobrenaturais, Alexia pode ser de extrema importância para a investigação... Ou seria o verdadeiro motivo de tal investigação?

“Tomou a forma de lobo – mas somente da cabeça para cima – e rosnou para ela. Foi extremamente bizarro: tanto o ato em si (uma estranha fusão de carne derretida e ossos estalados, muito desagradável de ver e escutar) quanto a visão de um cavalheiro vestido de forma impecável, mas com uma cabeça perfeita de lobo sobre a gravata plastrom de seda cinza”. (págs. 96 e 97).