Livro infanto-juvenil de James Patterson será adaptado
O escritor norte-americano James Patterson confirmou no fim do último mês que o livro “Escola: Os Piores Anos de Minha Vida” será adaptado ao cinema. A CBS Films será a responsável pela produção do filme, que terá Steve Carr (Dr. Dolittle 2) como diretor e o jovem Griffin Gluck como protagonista.
“Escola: Os Piores Anos de Minha Vida” é o primeiro volume de uma série de sete livros protagonizada por Rafa Khatchadorian. Os dois primeiros volumes da série foram publicados no Brasil pela editora Arqueiro.

Novo livro de Paulo Coelho se passará na Grécia
A coluna do Ancelmo Gois, publicada no jornal O Globo no último domingo, 06, revelou que o próximo livro de Paulo Coelho, previsto para ser lançado em outubro de 2016, terá como cenário a Grécia. Ainda segundo a coluna, o livro está 70% escrito.
Um dos mais importantes escritores da literatura brasileira, Paulo Coelho comemorou em agosto a marca de sete anos na lista dos mais vendidos do The New York Times, com o livro “O Alquimista”. No Brasil, seus livros têm sido publicados pela editora Sextante.

Cia. da Hebe oferece oficinas em Espírito Santo do Pinhal
Com a intenção de colaborar com a cidade de Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo, na promoção do indivíduo por meio da arte, a Cia. da Hebe inicia suas atividades na próxima terça-feira, 15. Através desse projeto, os idealizadores têm a intenção de reunir pessoas de diferentes idades e profissões, oferecendo uma troca de experiências através de diferentes tipos de oficinas.
Neste primeiro momento, serão oferecidas oficinas de Fotografia, Escrita e Teatro, sendo que também já estão previstas oficinas de Gastronomia e Bordado para crianças, Moda, Contação de História, Cerâmica, entre outras.
A primeira oficina será de Fotografia e acontecerá entre 15 de setembro e 19 de dezembro, sendo ministrada pelas fotógrafas Gisele Morgão e Tika Tiritilli. Já a oficina de Escrita, ministrada pelo escritor Alexandre Staut, acontecerá nos dias 26 e 27 de setembro e terá como base a trajetória do escritor na literatura. Por fim, a oficina de Teatro, ministrada pela atriz Mônica Sucupira, será nos dias 20 e 21 de outubro.
Para se inscrever ou obter outras informações basta ligar para (19) 98836-4138.

Alexandre Staut lança seu primeiro livro infantil
Autor dos livros “Jazz Band na Sala da Gente” e “Um Lugar para se Perder”, o escritor Alexandre Staut acaba de lançar, pela editora Cuore, o seu primeiro livro infantil, intitulado “A Vizinha e a Andorinha”. Com ilustrações de Selene Alge, o livro tem como tema principal a descoberta do outro.
“A vizinha e a andorinha”, de Alexandre Staut, com aquarelas de Selene Alge, conta a história de um menino que fica intrigado com a nova moradora do seu prédio, uma moça de roupas coloridas que guarda passarinhos em seu apartamento.
O livro aborda de forma divertida a ‘descoberta do outro’ e a importância da convivência. Este é o tema principal do livro, que tem foco em crianças de sete a dez anos.

Widbook realiza evento em Campinas
Acontece nesse sábado, 28, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em Campinas, um encontro do Widbook com seus leitores, embaixadores e parceiros. Com apoio dos blogs Only the Strong Survive e Procurei em Sonhos, o evento contará com a participação de Joseph Henri Bregeiro, fundador da plataforma, que falará sobre o mercado, publicação independente e como se destacar no meio online e off-line.
O encontro do Widbook em Campinas acontece a partir das 16h e haverá distribuição de brindes.

Vencedora de reality show publicará livro pela Planeta de Livros Brasil
Após ganhar a publicação de um livro ao vencer a primeira edição do reality show MasterChef Brasil, exibido pela TV Bandeirantes no segundo semestre de 2014, a paulista Elisa Fernandes já se prepara para o lançamento da obra. Segundo informações do Publishnews, em seu livro Elisa conta sobre sua trajetória até participar do programa e ainda apresenta 47 receitas divididas em cinco níveis.
O livro de Elisa Fernandes chega às livrarias no mês de abril pela Planeta de Livros Brasil.

Maurício Gomyde assina contrato com editora Intrínseca
Quatro anos após lançar a segunda edição do livro “O Mundo de Vidro”, seu primeiro trabalho literário, o escritor Maurício Gomyde acaba de assinar contrato com a editora Intrínseca.
Ao assinar um novo contrato, Maurício se consolida como um dos mais importantes nomes da nova geração de escritores brasileiros. Pela Intrínseca o escritor publicará pelo menos duas obras, sendo a primeira com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2015.
Além de “O Mundo de Vidro”, Maurício Gomyde publicou também “Ainda Não te Disse Nada”, “O Rosto que Precede o Sonho”, “Dias Melhores pra Sempre” (todos de forma independente) e “A Máquina de Contar Histórias”, lançado pela editora Novo Conceito em 2014.

Biruta e Gaivota no Catálogo de Bolonha 2015
A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) anunciou as obras selecionadas para integrar o Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha 2015. Sete obras das editoras Biruta e Gaivota foram selecionadas.
A Feira de Bolonha é o maior evento dedicado a literatura infantil e juvenil do mundo e reúne representantes de cerca de setenta países. O evento tem como objetivos vender e comprar direitos autorais, estreitar relações profissionais, debater sobre os últimos lançamentos da área, entre outros.

Lista de livros da Biruta e Gaivota selecionados para o Catálogo de Bolonha 2015
Águas Emendadas, de Rubens Matuck
Duas Vezes na Floresta Escura, de Caio Riter
Inácio: O Cantador-rei de Catingueira, de Arlene Holanda
Moradas das Lembranças, de Daniella Bauer
O Dia em que B Apareceu, de Milu Leite
O Gigante do Maracanã, de Cesar Cardoso
O Menino que Lia Nuvens, de Ricardo Viveiros

Morte na Mesopotâmia, Agatha Christie, tradução de Milton Persson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 220 páginas.
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A paciente da enfermeira Amy Leatheran é uma mulher muito peculiar e constantemente se sente atormentada por fantasias macabras. Estava claro para todos que ela sentia muito medo, porém ninguém desconfiava do que poderia ser e isso causava uma tensão incomum. Até um misterioso assassinato acontecer e o detetive belga Hercule Poirot ser o único capaz de encontrar o culpado.

“Em matéria de doença, como já tive oportunidade de constatar, os maridos são uma raça de crédulos. No entanto, mesmo assim, não encaixava lá muito bem com o que ouvira dizer. Não combinava, por exemplo, com aquela expressão mais segura” (pág. 18).

Tragédia em Três Atos, Agatha Christie, tradução de Bárbara Heliodora, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 224 páginas.
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Primeiro ato: Stephen Babbington, um velhinho inofensivo, está participando de uma reunião social na casa de um ator quando toma um coquetel e não demora a ir de encontro ao chão e cair morto. Segundo ato: algum tempo depois, o neurologista Sir Bartholomew Strange promove uma nova reunião, com a participação de quase todos os presentes na morte de Babbington, que assistem a mais uma morte com as mesmas características da anterior. Terceiro ato: uma misteriosa mulher recebe bombons envenenados.

Após presenciar a morte de Babbington e afirmar que ele morreu devido aos problemas comuns de sua idade, Hercule Poirot percebe que cometeu um grande engano e está disposto a tudo para corrigir esse erro. Para isso conta com a ajuda de Sir Charles Cartwright e da bela Egg Lytton Gore, que juntos irão tentar descobrir o que motivou essas mortes.

“- (...) Há pessoas com talento especial para naufrágios, mesmo num laguinho ornamental alguma coisa lhes acontece. Do mesmo modo homens como Hercule Poirot não precisam ir em busca do crime... ele vem a ele” (pág. 19).

Livro da Saída de Emergência conquista Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica
Criado em 1991, o Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini reconheceu, em 2014, um dos primeiros lançamentos da editora Saída de Emergência Brasil. Escrito por Stephen Hunt, o steampunk “A Corte do Ar” venceu na categoria Inovação Tecnológica.
Além de “A Corte do Ar”, a editora também concorreu ao prêmio com o livro “Filha do Sangue”, na categoria Livros de Texto. Nessa categoria o livro vencedor foi “O Círculo”, publicado pela Companhia das Letras.

Dois livros de Agatha Christie serão adaptados em série de TV
Os livros “O Inimigo Secreto” (1922) e “M ou N?” (1941), protagonizados pelo casal Tommy e Tuppence Beresford, ganharão uma nova adaptação em 2015. A produção será apresentada pela BBC One e terá os atores Jessica Raine e David Williams como protagonistas.
A série será composta por seis episódios, sendo três baseados em cada uma das obras. A produção fará parte das comemorações dos 125 anos de Agatha Christie, celebrado em setembro do próximo ano.
Essa será a terceira produção que contará com as personagens criadas pela autora no início de sua carreira. Anteriormente, Tommy e Tuppence protagonizaram uma série na década de 80 e, em 2006, tiveram uma aparição em série baseada nas obras da personagem Miss Marple.

Planeta de Livros Brasil assina com Mila Wander e Tatiane Ferreira
Aos poucos a editora Planeta de Livros Brasil confirma os autores que serão publicados no próximo ano. Após assinar contrato com Ricardo Ragazzo, a editora confirmou nos últimos dias que publicará obras das escritoras Mila Wander e Tatiane Ferreira.
Grande sucesso na Amazon e no Wattpad, Mila Wander terá dois de seus livros publicados pela Planeta através do selo Essência. A previsão é de que “O Safado do 105” seja lançado em março, enquanto que “Diário de uma Cúmplice” deve chegar às livrarias no fim do segundo semestre de 2015.
Em suas redes sociais, Mila declarou estar “muito contente com a recepção calorosa que a equipe da Editora Planeta me ofereceu”. “Estou muito positiva também, pronta para aprender muita coisa nova e para trabalhar bastante”, concluiu.
Já a blogueira Tatiane Ferreira, responsável pelo blog Acidez Feminina, publicará seu primeiro livro no primeiro semestre, abordando o universo feminino sem filtros. Tatiane possui mais de dois milhões de seguidores em suas redes sociais e seus vídeos possuem cerca de 58 milhões de visualizações.

Josy Stoque lançará último volume da trilogia Puro Êxtase
O livro “Puro Êxtase para Sempre”, último volume da trilogia Puro Êxtase, será lançado oficialmente, nos formatos impresso e digital, no próximo dia 15. Escrita por Josy Stoque, a trilogia erótica é formada também pelos livros “Puro Êxtase” e “Puro Êxtase a 2”.
Nos dias que antecedem o lançamento de seu novo livro, Josy Stoque está disponibilizando os primeiros capítulos da obra no Wattpad e no Widbook. Já a pré-venda do novo livro começará no dia 10 de dezembro, com um desconto de 40%.
Para mais informações, acesse a fan-page de Josy Stoque clicando aqui.
SENSUAL, PROFUNDO, INESQUECÍVEL
“Enquanto o desejo durar”
Você acredita no “felizes para sempre”? Rodrigo Valente, pela primeira vez na vida, está apaixonado. Sara Mello tenta fugir dele, com medo de amar outra vez, mas todas as suas armaduras se dissolvem ao toque sensível e excitante do arquiteto. A promotora aceita se casar com ele, mas a ex-namorada dará a cartada final para convencê-lo do erro de tê-la deixado, às vésperas da cerimônia. Será que este amor é forte o bastante para resistir aos defeitos, às reações explosivas e às opiniões divergentes?
Viver é um presente que só tem sentido com amor.

Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie, tradução de Archibaldo Figueira, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 2009, 223 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Se existe uma autora capaz de surpreender em cada uma de suas obras, essa certamente é Agatha Christie, que não por menos é considerada a “Dama do Crime” e é uma recordista de venda. Além de possuir uma escrita inconfundível, Christie é a criadora de um dos principais personagens da literatura, Hercule Poirot, que protagonizou duas das obras-primas da autora: O Assassinato de Roger Ackroyd e Assassinato no Expresso do Oriente.
Na segunda obra citada, lançada originalmente 1934, Poirot se envolve em um dos seus casos mais enigmáticos enquanto está atravessando a Europa no luxuoso Expresso do Oriente, que misteriosamente possui mais passageiros do que costuma acontecer na época do ano em que se passa a história. O grande problema surge quando, após uma tempestade de neve que impossibilita que o trem prossiga sua viagem, um dos passageiros é encontrado morto, com doze facadas e a porta de sua cabina trancada por dentro.
A intenção do assassino era que sua identidade permanecesse desconhecida, porém a tempestade de neve e a presença de Hercule Poirot estragam todos os planos. Por isso a identidade do verdadeiro assassino está prestes a ser revelada, ainda que inúmeras pistas falsas tentem enganar uma das mentes mais brilhantes da literatura mundial.

A Casa do Penhasco, Agatha Christie, tradução de Lais Myriam Pereira Lira, 3ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 1979, 211 páginas

Publicado originalmente em 1932 com o título Peril at End House, A Casa do Penhasco é a oitava aventura do detetive belga Hercule Poirot, considerado um dos maiores – se não o maior – detetive da literatura policial. Como costuma acontecer, a autora Agatha Christie surpreende da primeira a última página, em uma história fantástica.
A história se passa em Saint Loo, segundo o narrador-personagem, uma das cidades mais atraentes do litoral da Inglaterra. Ali, Hercule Poirot e seu fiel companheiro, Capitão Arthur Hastings, estão hospedados em um hotel, onde conhecem Nick Buckley, uma mulher jovem e dona da Casa do Penhasco. Nick conta sobre uma série de acidentes que tem sofrido nos últimos dias, mas Poirot não acredita que seja simples acidentes e sim tentativas de assassinato que falharam. Mesmo desejando se aposentar, Poirot entra em ação e ao lado de Hastings tenta evitar um novo atentado que pode levar a morte da jovem Nick Buckley.
A cada nova experiência com uma obra de Agatha Christie, somos surpreendidos de tal forma que a nossa admiração por ela apenas cresce. A narrativa, como costuma acontecer, é de uma simplicidade incomum e ainda assim nos prendemos na história, querendo apenas o desfecho – ou ao menos dicas do que pode realmente acontecer. São os diálogos, fortes e muito bem construídos, o ponto fonte de mais uma aventura de Hercule Poirot, um verdadeiro gênio.
O livro é narrado mais uma vez pelo Capitão Hastings e para ao menos tentar – o que é difícil se tratando de Christie – se aproximar da teoria do detetive belga, precisamos estar atentos e não se prender apenas ao que é narrado. Como diz o próprio Poirot, seu amigo “nunca percebe as coisas” e se focando no que ele escreve o leitor também nunca vai perceber as coisas. Isso diferencia um caso de Hercule Poirot com os demais personagens da autora, como Sr. QuinO Misterioso Sr. Quin (Resenha) –, outro personagem emblemático.
Tão surpreendente como O Assassinato de Roger Ackroyd (Resenha), em A Casa do Penhasco encontramos também citações de outros casos de Hercule Poirot, como O Mistério do Trem Azul (Resenha) e também personagens comuns nas histórias do personagem, como o inspetor Japp, detetive da Scotland Yard. Conhecemos outros personagens bem elaborados – como a própria Nick ou o Comandante George Challenger -, de importância para o enredo e que possuem histórias paralelas, sem que isso se perca da história principal.
Como um bom livro policial, são necessárias reviravoltas e isso acontece a cada capítulo, aumentando assim o mistério e também confundindo o leitor, que mais do que nunca precisa usar a massa cinzenta. Mas essas reviravoltas não se comparam ao final surpreendente, quando Hercule Poirot, com seu jeito metódico de investigar e solucionar um caso, mostra a verdade aos interessados e só fica satisfeito ao encontrar a resposta para todas as suas perguntas.
A Casa do Penhasco pode ser um livro amado ou odiado, dependendo apenas da relação do leitor com as personagens. Isso porque ao mesmo tempo em que o final é surpreendente, ele pode desagradar a muitos pelo fim tomado por certas personagens - como o meu caso, já que nunca desconfiei de nada. Mesmo que isso aconteça, ninguém poderá dizer que a autora não fez um excelente trabalho ao construir essa trama, que se fosse de qualquer outro autor, seria de longe sua grande obra-prima.

“- Não lhe pedi para descrever o chapéu. Está claro que você não percebeu. É incrível, meu pobre Hastings, como você quase nunca percebe as coisas. Espanto-me sempre com isso! Olhe, meu caro imbecil, olhe! Não é preciso usar a massa cinzenta. Bastam os olhos. Olhe! Olhe com os olhos de ver.” (pág. 25).

O Misterioso Sr. Quin, Agatha Christie, tradução de Sônia Coutinho, 3ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 1978, 252 páginas.

Com mais de 80 livros publicados, a eterna Dama do Crime, Agatha Christie – autora de O Misterioso Caso de Styles (Resenha), A Teia da Aranha (Resenha), O Assassinato de Roger Ackroyd (Resenha), entre outros -, sempre criou personagens inesquecíveis e que possuem características únicas. Isso acontece novamente no livro O Misterioso Sr. Quin, publicado originalmente em 1930.
Narrado em 3ª pessoa, o livro é composto por doze histórias que contam algumas aventuras do Sr. Satterwaite, um homem influente, de cerca de sessenta anos e que tem grande interesse na natureza humana. Como é revelada diversas vezes, Sr. Satterwaite costuma observar os dramas da vida, mas sua participação acontece apenas com o envolvimento do Sr. Harley Quin. Este personagem é talvez o mais enigmático da autora. Não se sabe nada sobre ele, mas em todos os contos, sempre que há um mistério, ele aparece e ajuda Sr. Satterwaite a encontrar a verdade. Mas essa ajuda é discreta, e devido a isso entra em cena a inteligência do personagem, que precisa usar de suas características e de sua paixão pelo drama para desvendar aquilo que Sr. Quin está tentando revelar.
Em cada um dos contos, Sr. Satterwaite se envolve em algum tipo de mistério, levando sempre a reflexões - como acontece no conto O Homem que Veio do Mar -, algo distinto no estilo de Agatha Christie – pelos menos nos livros que tive a oportunidade de ler. O que continua marcante é a forma como os mistérios são solucionados, na maioria das vezes de uma forma impensável, é o caso do conto A Sombra no Vidro, um dos melhores.

“Três vezes, antes, encontrara o Sr. Quin, e sempre o encontro resultara em algo um tanto fora do comum. Estranha criatura, este Sr. Quin, com um dom e mostrar aos outros, sob uma luz totalmente diferente, coisas que já sabiam. (pág. 66)”.

As histórias envolvem, em sua maioria, damas e pessoas importantes da alta sociedade inglesa, mas, a classe artística é a mais usada e por esse motivo ganha um tom especial. Isso porque Sr. Quin é uma referência ao personagem Arlequin, da pantomima inglesa, ou seja, a maioria dos contos tem algo teatral e ao mesmo tempo envolvente, o que de fato mais chama a atenção.
O estilo de escrita da Dama do Crime é mais uma vez incrível, provando porque ainda nos primeiros anos de sua carreira, Agatha Christie conquistou tantos fãs. Mas, afinal: o que é o Sr. Harley Quin? Essa pergunta é uma das quais continuará eternamente sem resposta, o que pode ser dito é que este personagem está no mesmo nível de Poirot ou Miss Marple, porém com menos destaque nas obras de Christie.
O Misterioso Sr. Quin não é um livro típico da autora falecida em 1976. Prezando mais para a reflexão e com um clima espiritual, não encontramos os mistérios policiais e isso pode, e certamente vai, desagradar a muitos. Ou o leitor entra no clima de um livro totalmente diferente e sente a importância da personagem principal; ou este dificilmente será lembrado com um dos melhores livros da autora – apesar de ter qualidade para isso. Agatha Christie mais uma vez se mostra uma autora perfeita.

“Mas esta função de detetive da mente, este recolhimento de dados chaves, esta investigação da verdade, esta incontida alegria de se aproximar do objetivo... A própria paixão com que ela se empenhava em escamotear lhe a verdade o ajudava. (pág. 221)”.

Alguns autores marcam seu nome na história por alguns livros. Outros por personagens inesquecíveis. E tem aqueles que ainda são considerados únicos por ter um estilo de escrita característico, o que agrada na maioria das vezes, grande parte dos leitores do mundo todo. Existem algumas exceções, das quais possuem todas as características acima, é o caso de Agatha Mary Clarrisa, a querida e inesquecível Agatha Christie, Dama do Crime que nos deixou há exatos 36 anos, mas que continua conquistando fãs até os dias de hoje.
Nascida em 15 de setembro de 1890, em Torquay, cidade às margens do Canal da Mancha, Agatha era a terceira filha de um rico americano, que passava grande parte do tempo viajando, e de uma tímida mulher de quem Agatha herdou grande parte de sua personalidade. Agatha mudaria para a França com apenas 6 anos, mas antes disso ela já sabia a ler e escrever, isso pois os pais resolveram que ela receberia uma educação especial.
No ano de 1912, conheceu o piloto Coronel Archibald Christie, com quem se casaria em dezembro de 1914, e usaria o sobrenome do marido em suas futuras publicações. Enquanto Archibald serviu na Primeira Guerra Mundial, Agatha Christie trabalharia em hospitais, o que contribuiu e muito para suas obras.
Sua primeira publicação foi o livro O Misterioso Caso de Styles (resenha), lançado em 1920, onde a autora nos apresenta um dos maiores detetives da história da literatura policial: Hercule Poirot. No livro, narrado por Hastings, amigo de Poirot e personagem importante em diversos livros, o detetive belga investiga a morte da proprietária da mansão Styles, e já nos mostra o motivo da autora ter se tornado a Dama do Crime.
Dois anos mais tarde, Agatha Christie passou a publicar ao menos um livro por ano, e assim continuaria até o ano de sua morte, mas o grande momento da carreira se daria em 1926, quando lançou O Assassinato de Roger Ackroyd (resenha), um dos melhores e mais criativos livros da história. Para os amantes do gênero, é uma leitura indispensável.
Além de lançar seu Magnus Opus, o ano reservaria diversas surpresas para a Agatha Christie, entre elas, a perda da mãe e um caso de seu primeiro marido, que queria viver com sua amante. Com toda essa pressão, a autora resolve sair de casa, e no dia seguinte seu carro é encontrado em um barranco, com todos os pertences da autora, e com ela desaparecida.
Seu desaparecimento movimentou a todos, sendo inclusive usado aviões na busca da Dama do Crime. Agatha seria encontrada apenas 11 dias depois, em um hotel da cidade de Harrogate. Ela ficou hospedada durante todo esse tempo com um nome falso e foi encontrada por um músico, que reivindicou a recompensa de £100 prometida para quem informasse sobre o desaparecimento da autora.
Com o escândalo resolvido e ainda casada com seu primeiro marido, Christie lançou outros quatro livros até o fim da década de 20, entre eles O Mistério do Trem Azul (resenha) e O Mistério dos Sete Relógios (resenha). Após se divorciar definitivamente em 1928, casou-se dois anos mais tarde, com Max Mallowan, porém continuou assinando suas obras com o sobrenome do primeiro marido.
Ainda na década de 30, lançaria diversos romances e coletânea de contos, mas seu maior sucesso dessa época é o livro Assassinato no Expresso Oriente, diversas vezes adaptado ao cinema, rendendo inclusive o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante a Ingrid Bergman, que interpretou a personagem Greta Ohlssom.
Além de grandes livros, como já havia dito, personagens marcantes foram criados pela inglesa: Hercule Poirot, detetive belga e com características únicas, bem como seu amigo Hastings; a simpática e espetacular Miss Jane Marple, uma solteirona que esteve presente em 12 romances e 20 contos; o casal Tommy e Tuppence; o detetive Parker Pyne, entre outros, são personagens cativantes e que estão gravados eternamente na memória dos leitores, assim como a criadora.
Em 50 anos de carreira, Agatha Christie escreveu mais de 80 livros, entre romances, contos e até mesmo peças de teatro, e se tornou assim uma verdadeira lenda da literatura policial. Sua importância também se confirmou, quando em 1971 tornou-se Dama da Ordem do Império Britânico.
O mundo da literatura policial perderia um de seus maiores nomes em 12 de Janeiro de 1976, quando uma pneumonia venceu aquela que criou desfechos inesperados e marcantes para suas histórias, contudo, Dame Agatha Christie jamais será esquecida, pois, além de suas histórias, já vendeu mais 4 bilhões de livros, ficando atrás apenas de William Shakespeare, e da Bíblia. A Duquesa da Morte é única e inesquecível, ela é uma Imortal da Literatura.
“A escrita é um grande conforto para pessoas como eu, que estão inseguros sobre si mesmos e têm dificuldade para expressar-se corretamente”. – Agatha Christie.
Agatha Christie - 15/09/1890 - 12/01/1976

Assassinato na Casa do Pastor, Agatha Christie, Rio de Janeiro: Editora Record, 1987, 240 páginas.

Lançado originalmente sob o título The Murder at the Vicarage em 1930, o livro Assassinato na Casa do Pastor, da Dama do Crime, Agatha Christie (que dispensa comentários), é o primeiro onde temos como protagonista, a velhinha simpática Miss Marple, moradora do vilarejo de St. Mary Mead. Para quem já leu outros livros onde Marple é a personagem principal, percebe de imediato que aqui tem uma senhora diferente: fofoqueira, curiosa e atenta (apesar dessa ser uma característica que vive com Marple em todas as suas histórias) mas nem por isso menos querida por nós leitores.

A história é contada pelo pastor Leonard Clement, que no inicio tem a infelicidade de dizer que a pessoa que ousasse assassinar o coronel Luscius Photheroe, estaria fazendo um bem para o mundo. Tempos depois, o coronel Photheroe é encontrado morto e na casa de Clement. Então, entra em cena o médico Dr. Haydock, que para ajudar, ou confundir, confirma a hora da morte; o Inspetor Slack, que investiga, e claro, nossa querida Miss Marple, que como quem não quer nada, só observa o que acontece, para no final surpreender a todos com o assassino e o motivo do crime ter acontecido. Como o crime aconteceu em sua casa, o pastor se sente obrigado a estar por dentro de tudo o que acontece na investigação, e por isso é sempre um dos primeiros a descobrir as novidades. Logo no inicio, os que estão em busca da verdade se surpreendem com duas pessoas que se entregam, mas ainda assim, todos sabem que há algo a mais neste crime, e então a investigação continua até que o culpado é incriminado.

Temos uma narrativa envolvente, porém em muitos pontos cansativos, principalmente pela intenção de Christie em bagunçar a cabeça do leitor para que este não descubra a verdade. Os capítulos passam, e a convicção de quem é o assassino nos acompanha página por página, para chegar ao fim e saber que fomos enganados (se é que assim posso dizer) pela autora, e por que não também por Miss Marple, que em determinado momento diz: "- Oh! Certamente que sim. Vejamos - contou nos dedos - um, dois, três, quatro, cinco, seis... sim, possivelmente sete. Posso conta no mínimo sete pessoas que ficariam muito contentes em liquidar o Coronel Photheroe. (pág. 70)." Afinal, quem são os sete suspeitos? Como acontece em todos os de Christie, o final é surpreendente.

Por ser a primeira história que acontece em St. Mary Mead, neste livro conhecemos diversos pontos do vilarejo, bem como a rotina de seus moradores, que muitas vezes chegam a ser estranhas. Temos uma ótima, que inicia a Era Jane Marple com o pé direito, e prova a capacidade de Christie em criar uma história que muda de rumo em todo o momento. Não é o melhor, mas esse livro com certeza deve ser lido por todos que gostam de mistério e principalmente reviravoltas.

O Mistério dos Sete Relógios, Agatha Christie, São Paulo: Círculo do Livro, 222 páginas

Agatha Christie, a eterna Dama do Crime, recusa apresentações, até por que, diversas vezes já foi tratada aqui no OverShock, mas essa mulher que nasceu no final do século XIX continua hoje conquistando fãs por toda parte, principalmente pela forma com que seus livros terminam. O Mistério dos Sete Relógios é só mais um das dezenas de livros de nossa querida autora que no final, nos surpreendemos. O segundo livro protagonizado pelo Superintendente Battle, da Scotland Tard foi lançado originalmente em 1929, e novamente se passa na famosa mansão de Chimneys, já retratada no livro O Segredo de Chimneys.

Como já é de se esperar, ao voltar para o local de outro livro, outros personagens também reapareciam, como é o caso da encantadora Bundle, filha do dono da mansão, Lorde Caterham, e é Bundle que vai se aventurar ao longo das 222 páginas. No começo, Chimneys está alugada para Sir Oswald Coote e sua esposa, Lady Coote. Gerry Wade é um hospede do casal, que tem o costume de acordar tarde, e este costume irrita alguns outros hospedes, que resolvem comprar oito relógios, para despertar cedo no dia seguinte, e atormertar a vida do coitado Gerry, mas Gerry demora para aparecer, e ao entrar no quarto descobrem que ele está morto, e que um dos relógios não estava mais ali.

Ao voltar para Chimneys, Bundle fica sabendo do que aconteceu, e resolve investigar, mas enquanto estava na estrada, um homem que acabara de ser baleado, cai quase sem vida e consegue dizer apenas quatro palavras, o que leva a bela moça à Jimmy Thesiger. Com a 'ajuda' de Jimmy, e da meia-irmã de Gerry, Loraine, ela tenta descobrir quem matou Gerry, e quem atirou neste homem que fora baleado na estrada. 

Além de mortes, aventuras, romances, e até um leve humor, a história de Christie tem algo diferente, e que com certeza foi o que mais me agradou: as sociedades secretas. Nas aventuras de Bundle, ela descobre uma sociedade secreta, e passa a investiga-lá. Acontece também outros casos, que acredito tenha a missão de confundir o leitor, já que o final, a exemplo de outros livro, é novamente surpreendente. Não apenas por que nunca imaginei quem seria o assassino, mas por que outros desfechos também chegaram a me assustar.

Novamente, a forma como a escritora descreve seus personagens, é de ser invejado por inúmeros escritores, e é praticamente impossível você não sentir amor, ódio, carinho, compaixão, pena de alguns dos personagens que aparecem nesse livro. Não é como os demais, que em sua maioria, são os principais que sentimentos alguma emoção: dessa vez todos passa por isso.

Ainda não consegui descobrir quem é o assassino nos poucos livros de Christie que tive a oportunidade de ler, e se você pegar O Mistério dos Sete Relógios, com a intenção de ser mais esperto (a) do que a autora, pode tirar seu cavalinho da chuva, por que não vai ser dessa vez. É melhor do que o primeiro livro de Battle, não sei se consegue ser melhor do que os de Poirot, mas chega perto. Realmente muito bom.

O caso do hotel Bertram, Agatha Christie, 2ª edição, Rio de Janeiro: Edição Best Bolso, 2010, 198 páginas

Mais um livro de Agatha Christie, autora de talento indiscutível, e que mais uma vez surpreende e agrada aos leitores. O caso do hotel Bertram, lançado originalmente em 1965 é um dos 12 livros onde nos deparamos com a simpática e amadora detetive Jane Marple, que depois de muito tempo, ganha de seu sobrinho uma estadia e volta ao luxoso hotel Bertram para passar 15 dias, sem esperar do que estava por vir.

Bertram é um hotel famoso, inaugurado no século XIX, e que é frequentado por muitas pessoas que querem conforto, já que os serviços são esplêndidos "Assim era o Bertram, frequentado, anos a fio, pelos mais altos escalões do clero, por aristocratas idosas vindas do campo e moças a caminho de casa, onde passariam as férias de suas dipendiosas escolas particulares só para mulheres" (pág. 7). Nesse estadia de Miss Marple, ela começa a observar coisas estranhas, e que a ajuda mais tarde na hora de desvendar o crime.

O diferencial deste livro, é que o crime não acontece no começo da narrativa - narrativa essa que é fácil e empolgante - e o primeiro fato interessante, é o desaparecimento de um clérigo muito distraído. Quando isso acontece, entra em cena  o inspetor chefe Davy, que acaba tendo maior participação do que a própria Miss Marple. Mais tarde, em uma noite de forte nevoeiro, a jovem Elvira, herdeira de uma grande fortuna e filha de Bess Sedgwick, uma mulher famosa por seus 'problemas', sofre uma tentativa de morte, e o porteiro do hotel Bertram tenta salva-la e é morta no lugar da jovem. O que gostei, é que pelo fato do crime acontecer na parte final, o desfecho é rápido.

Por ser a primeira obra de Miss Marple, e uma das últimas obras da escritora que leio, ainda sou fã do ínicio da carreira de Christie e claro, de Hercule Poirot, principalmente por que se o leitor estiver atento às descrisões dada no ínicio do livro, já podemos descobrir quem é o assassino. "-Quem ficará com o dinheiro se eu morrer? / -O seu parente mais próximo" (pág. 74), mas não posso dizer que é livro ruim, mesmo que no final, uma morte possa deixar muitos leitores irritados.

O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie, São Paulo, 1975, 288 páginas.

Quando se trata da Dama do Crime, Agatha Christie, sempre é necessário colocar em pauta sua surpreendente escrita, e como ela faz com que o leitor aprecie cada vez mais seus livros, prova disso é O Assassinato de Roger Ackroyd, a 6ª obra da escritora inglesa que foi publicado em 1926. Desde que comecei a ler os livros de Christie, sempre ouvi falar muito desta obra, e sem entender o porque, e até mesmo sem curiosidade de saber o porque, acabei demorando para ler. Hoje me arrependo. De fato, o livro é uma excelente história, e apesar de receber muitas críticas pelo final proporcionado pela escritora, é claro que esta, sem dúvida nenhuma, é a maior obra prima da Rainha do Crime.

Como o nome já sugere, O Assassinato de Roger Ackroyd conta como Hercule Poirot desvendou a morte de Roger Ackroyd, morador da pequena vila britânica de Kings About. A história é narrada pelo doutor Sheppard, um médico conhecido, respeitado e amigo do homem assassinado, e é ele que ajuda o grande detetive belga a desvendar o caso. Conforme a história vai se desenrolando, a nova dupla busca os motivos que cada pessoa residente da casa de Roger teria para assassina-lo, e claro, com Poirot dando atenção aos mínimos detalhes, como sempre foi seu jeito único de ser. Ao descobrir o assassino, Poirot continua com sua simplicidade e com seu modo de falar "Para esse fim, eu sugeriria que terminasse a sua interesantíssima narrativa... mas, desta vez, pondo de lado as reticências." (pág. 281)

Acredito que no ínicio do livro, não dei a atenção necessária a que ele realmente merece. Por ser uma obra tão impecável, com um final surpreendente, posso afirmar com toda a certeza, que esse está entre os 3 melhores livros de Agatha Christie, e que todas as críticas negativas contra o livro são realmente 'sem motivo', ou por que quem o criticou, nunca imaginou o fim. Claro que quando o caso é enfim desvendado, qualquer pessoa fica chocada, e se pergunta: "É isso mesmo que eu li?". Dentre os livros que já li, final mais surpreendente só Cai o Pano, que foi publicado em 1975. O final ousado faz deste livro algo que não se pode deixar de ler.

Está provado por A + B, que Agatha Christie tem toda a magia necessária para escrever um romance policial de primeira. Em O Assassinato de Roger Ackroyd, o foco principal não está apenas no assassinato, mas também em todos os principais pontos dos personagens secundários, e esse é só mais um do diferencial da escritora que faleceu em 1976. Para os fãs da leitora que ainda não tiveram a honra de ler esse livro, digo apenas uma coisa: tá esperando o que?

Outras Resenhas de Agatha Christie:

Peças de Teatro: A teia da Aranha

@ricbiazotto 

A Teia da Aranha, Agatha Christie, adaptado por Charles Osborne, Porto Alegre, RS: L&PM Pocket, 2010, 176 pág. (tradução de Henrique Guerra)

Nascida em 1890, Agatha Christie ficou conhecida por seus famosos romances policiais, muito embora tenha escrito peças, romances não-policiais e poemas. “Spider’s Web” (1954) é a peça teatral escrita por Agatha Christie que se tornou o romance de comédia e mistério homônimo adaptado por Charles Osborne, foi publicado em 2008. Agatha escreveu outras peças que também foram adaptadas em romance por Osborne: “Café Preto” e “O Visitante Inesperado”.
Nesta obra, nos deparamos com um intrincado mistério que vai se desdobrando paulatinamente. Um corpo aparece na sala da casa do ilustre casal Hailsham-Brown misteriosamente. Clarissa Hailsham-Brown pensa que aquele assassinato foi um acidente e tenta convencer seus amigos: Sir Rowland, Jeremy Warrender e Hugo Birch a se livrarem do corpo antes que seu marido Henry Hailsham-Brown volte para casa com um importante político.
Há um impasse entre o que é o correto a ser feito e porque não fazê-lo. Entretanto Clarissa com seu poder de persuasão consegue convencer os amigos a praticar a funesta ação. No entanto, surge um imprevisto: a policia chega a casa. Uma ligação anônima denunciava o assassinato. O inspetor Lord vê-se imbuído em uma cadeia de mentiras, na qual todos estão usando de subterfúgios para esconder os reais fatos: “Ó, como a teia se emaranha, se o ludíbrio é o primeiro fio” (p.172). Ao passo que as mentiras vão sendo descobertas, os reais fatos vão se entrelaçando promovendo um desfecho que por sua vez é inusitado e quiçá, cômico.
Esse livro “inédito” de uma das peças de Agatha Christie é uma alegria imensurável para os fãs da mesma. Ademais o trabalho e esforço de Osborne deve ser reconhecido, pois ele deu a oportunidade de todos os leitores poderem se debruçar sobre mais uma obra de Christie cheia de intricamentos fantásticos que mostram, mais uma vez, as habilidades dela em envolver os leitores em atmosferas misteriosas.
A Teia da Aranha” é uma obra de ficção amplamente indicada para os fãs de Agatha Christie, bem como admiradores da mesma e leitores em geral. É diversão na certa!


Camila Márcia

O mistério do Trem Azul, Agatha Christie, Porto Alegre: L&PM Pocket, 2010, 271 pág.

The Mystery of the Blue Train é o 9º livro da escritora inglesa Agatha Christie e foi lançado originalmente em 1928. Contando mais uma história do grande detetive belga, Hercule Poirot, que dessa vez investiga a morte de Ruth Kettering, herdeira da fortuna de um americano. Ruth é encontrada morta depois que o Trem Azul, "o trem dos milionários", chega até Nice, na Riviera Francesa. Nessa hora que Poirot entra em ação, e com seu jeito único de ser, mostra quem é o verdadeiro assassino.

O livro, como todos da dama do crime, te prende, e não deixa você fechar o livro nem por um segundo, e quando fecha, está pensando no final da história. Final este que como em todos os livros - pelo menos os quais li - é surpreendente: o assassino, e o cúmplice. Os personagens são marcantes, o já consagrado Poirot com sua delicadeza para resolver os mistérios, e os demais personagens da obra, como a dançarina Mirele com sua beleza, e Katherine, que pensou que os "roman policier" não passavam de ficção, e logo depois, estava em uma aventura policial.

O livro e a autor são extremamente recomendados para qualquer fã de histórias de detetive, já que a simpatia de Hercule Poirot conquista até os mais criticos, e a forma de escrita de Agatha não é cansativa e sim empolgante.

O Misterioso Caso de Styles, Agatha Christie, Rio de Janeiro: BestBolso, 2008, 235 pág.

Lançado inicialmente em 1920 sob o título “The Mysterious Affair at Styles”, trata-se de um romance policial da escritora inglesa Agatha Christie. Com mais de oitenta livros publicados, entre eles “Treze à Mesa”, “Os Crimes ABC” e “Assassinato no Expresso do Oriente”, a autora ficou conhecida por seus romances policiais e por criar personagens exóticos como o detetive Hercule Poirot, Miss Marple entre outros. Suas obras já foram traduzidas para quase todas as línguas e algumas já viraram produções cinematográficas. Nasceu em 1890 em Devonshire (Inglaterra) e faleceu em 1976.
“O Misterioso Caso de Styles” é o primeiro romance policial da escritora assim sendo, relata a primeira aventura com o detetive belga Hercule Poirot. O livro narra a morte da rica proprietária da mansão Styles, a Sra. Inglethorp, a qual é encontrada morta em sua cama, supostamente acometida de um ataque cardíaco, entretanto é levantada a hipótese de que ela foi vítima de um assassinato: morte por envenenamento e, assim, são  encontradas algumas evidencias de que essa hipótese é verídica, mas quem é o  assassino? “A falecida não tivera a capacidade de merecer o amor das pessoas que a cercavam. Sua morte era um choque, a causa de uma terrível aflição. Mas não seria lamentada com paixão” (p.45). Eis que entra em cena o famoso detetive belga Poirot que tenta destrinchar este mistério.
Todo o conjunto desta obra – capítulos, descrições e diálogos – encontram-se em harmonia a fim de promover grandes expectativas e um ar de mistério. O leitor fica imerso nas palavras e nas pistas na esperança de poder descobrir quem é o assassino da Sra. Inglethorp. O livro não deixa de surpreender no seu desfecho.
Um ponto imprescindível nas obras de Christie é que ela fornece pistas para que o leitor possa, a sua maneira, tentar descobrir e avançar nas investigações como se estivesse presente diante daqueles fatos. Christie mostra paulatinamente que por trás de um assassinato há múltiplas formas do assassino tentar se esconder, mas há uma forma de se chegar ao assassino: metodicamente, associando os fatos com precisão. Em outras palavras, há muitas formas de colocar a culpa em alguém forjando provas e criando álibis, porém há apenas uma única forma de descobrir o culpado: encontrando a verdade.
Em suma, Agatha Christie encadeia este romance policialesco de uma maneira tão singular que cativa qualquer tipo de leitor. É uma leitura clara, coerente e prazerosa tanto para jovens quanto para adultos!

Camila Márcia