Ultra Carnem, Cesar Bravo, 1ª edição, Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2016, 384 páginas.
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Sou paulistano, mas aos 17 me mudei para o interior de São Paulo, onde vivo desde então. Morei em várias cidades, da fronteira do sul de Minas até a região central do estado. Dentre os ditados caipiras que me vêm à mente quando penso no livro Ultra Carnem, de Cesar Bravo, o que melhor define a obra é se está no inferno, abrace o capeta! Cesar Bravo nasceu em uma cidadezinha perto de Ribeirão Preto, e não sei quanto tempo morou nesse interiorzão, mas o fato é que esse período ficou tão marcado em sua memória que ele usou de cenário para sua obra máxima. Criou nomes fictícios para essas cidades, pois ninguém gostaria de ver sua cidadezinha ser chamada de buraco de merda, ou coisa assim, mas nós sabemos do que ele está falando. Eu já morei em lugares assim, sei bem como é.

Quanto à parte gráfica, é um volume com a marca de excelência Darkside. Capa dura, com um material meio emborrachado, e um design gráfico atraente. Dizer mais é quebrar o elemento surpresa.

O livro narra a trajetória de um artista cigano chamado Wladimir Lester e de outros personagens que de uma maneira ou de outra acabam tendo a vida miserável arruinada em virtude de entrar em contato com as obras de arte malditas do artista, ou de alguma maneira interferir na trajetória do personagem. A partir dessa premissa o autor cria no romance quatro histórias que se fundem em uma conclusão dantesca.

Na primeira parte do livro somos introduzidos à Lester, um pobre menino órfão que é deixado em um orfanato da pequena cidade de Três Rios, aos cuidados de um padre. O livro é muito bem escrito, a leitura flui naturalmente e quando você menos espera está enredado na trama macabra tecida meticulosamente, fio a fio. Essa parte parece ter sido feita sob encomenda para os fãs de terror mais tradicional, e apesar de atiçar a curiosidade, não é o ponto alto do livro. Posso estar errado, mas acredito que essa parte foi escrita há mais tempo do que as outras, pois utiliza fórmulas do terror clássicas.
Você nunca encontra o que procura. O tempo come tudo, Nôa. Roupas, valores, devora inclusive a esperança de nos entendermos com o passado. O que aconteceu com o tal menino e com as outras pessoas deste livro é algo que não pertence a nós.

Olá, leitores do Over Shock, estava meio sumido, mas retorno com uma série de entrevistas com autores da cena geek. O convidado desse mês é Gilson Luis da Cunha:

Quem é Gilson Luis da Cunha?
Sou biólogo, porto-alegrense, 51 anos, professor universitário e pesquisador, aficionado por ficção científica e fantasia em suas mais diversas mídias e vertentes.

Quais suas principais obras publicadas?
Até o momento tenho apenas contos em antologias. Terminei meu primeiro romance dois anos atrás e estou em busca de uma editora. Meus dois primeiros contos, Destino? e “O Conquistador, foram publicados na antologia Escreva-se, da Editora da UFRGS, em 1987. Por causa da carreira acadêmica, acabei ficando sem escrever ficção até 2012, quando resolvi recomeçar. Atualmente, tenho A Mulher que chora, em Mundos Volume 4, Editora Buriti (2015) e Depois que eles partiram, em Kaijus – Monstros Gigantes (2015). Tive contos selecionados para antologias que foram canceladas por problemas internos de algumas editoras. Por causa disso, resolvi investir também na auto-publicação via Loja Kindle da Amazon, onde publiquei As Bodas de Mugh, As Desventuras Funerárias de Nelson M. e Junior, um conto Tupinipunk. Tenho também alguns contos e uma noveleta publicados no Wattpad.

Foto: NASA
H.P. Lovecraft foi um escritor norte-americano de horror. O criador de um novo tipo de horror, chamado de horror cósmico. Há quem utilize o termo horror lovecraftiano como sinônimo. O horror cósmico é fortemente influenciado pela noção filosófica do niilismo existencial e pela natureza desoladora do mundo natural, principalmente do cosmo em si.

Lovecraft era um astrônomo amador, e se você já se aventurou por esse terreno, provavelmente sabe o quão desolador pode ser a descoberta de nossa insignificância perante o universo. As distâncias em unidades astronômicas, a velocidade da luz mostrando-se por demais pequena para mensurar os valores espaciais e o vazio soturno e melancólico que se propaga pelo espaço e pelo tempo. O físico Stephen Hawking certa vez disse que:

“Quando as pessoas me perguntam se um deus criou o universo, eu respondo que a questão em si não faz sentido. O tempo não existia antes do big bang, então não havia um tempo para deus criar o universo. É como pedir as direções do canto da Terra; a Terra é esférica; não tem canto; procurar por ele é um exercício de futilidade. Cada um é livre para acreditar no que quiser, e é minha visão que a explicação mais simplista é: deus não existe. Ninguém criou o universo e ninguém dirige o nosso destino. Isso me levou a uma conclusão muito profunda; a de que provavelmente não há Paraíso (Céu), e nem vida após a morte. Nós temos esta única vida para apreciar o grande desenho do universo, e por isso eu sou extremamente grato”

Portanto, chegamos à conclusão de que a Igreja estava certa ao condenar Galileu, se não há Ciência, não há dúvidas (estou sendo irônico aqui, se me entendem). Mas o fato é que o conhecimento das dimensões do universo é um conhecimento muito difícil de conciliar com uma religião cristã. Lovecraft abraçou o ateísmo, mas foi vítima de uma grande ironia, quando, tentando negar a religião, criou o Cthulhu mythos, uma mitologia fantástica que pretendia explicar, ou melhor, não explicar o universo. Nos contos do mythos conhecimento não é poder, conhecimento é aniquilação.

Cesar Bravo é um autor revelação de terror, e o mais novo autor da DarkSide Books. Convidamos o autor para um bate-papo e para que os leitores do Over Shock conheçam mais dos autores da casa da caveira.

A dra. Rin Hiromatsu, Ph.D. em neurociência da Universidade de Kobe, criou um teste composto de cinco perguntas que segundo pesquisa e farta bibliografia, podem estabelecer a personalidade do sujeito. De posse desse questionário metafísico iniciamos nossa entrevista com as cinco perguntas, também conhecido como o Teste Hiromatsu:
1. (x) Marvel ou ( ) DC
2. (x) Jovem Nerd ou ( ) Omelete
3. ( ) Futebol ou (x) Basquete
4. ( ) Twitter ou (x) Facebook
5. (x) Bolacha ou ( ) Biscoito

Agora que já sabemos quem você é, vamos às perguntas: existe um CPF Cesar Bravo ou é um pseudônimo?
Cesar Bravo é um Alter ego, não gosto muito do termo pseudônimo. Acredito que ‘Cesar’ tenha nascido para dizer e escrever o que eu não conseguiria com minha personalidade-mãe. Em dado momento de minha carreira, precisei de total isolamento, foi como Cesar Bravo que consegui.

Cesar, você costuma usar técnicas literárias de roteiro em sua escrita? Acredita que é possível escrever uma boa história que não se encaixe no esquema Jornada do Herói?
A utilidade da Jornada do Herói é indiscutível, usei algumas vezes, mas sinceramente não acredito unicamente em fórmulas — mesmo que um bom livro, um romance interessante contenha muito de suas bases. Mas, para início, um escritor precisará desses esquemas, para aprender como compor uma história. Quando comecei com a escrita dediquei muito tempo à material teórico, traduzi obras estrangeiras pela escassez do que tínhamos por aqui, aprendi bastante. Depois do terceiro ou quarto livro, essas informações passam a fazer parte de você como autor. O que eu não recomendo na escrita é rigidez, eu aposto muito no inusitado. Outro ponto fundamental é a construção de personagens. Dedico muito tempo a eles, sei de onde vêm, seus anseios, tento tratá-los como gente de carne e osso. Sem isso, nenhuma história tem chance.

Batman: Arkham Knight, Marv Wolfman, tradução de Alexandre Callari, 1ª edição, Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2016, 272 páginas.
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Arkham Knight, um dos últimos lançamentos da DarkSide Books, é um livro que impressiona. O design gráfico respeita o estilo gótico do personagem, a tipografia combina perfeitamente, a lateral das páginas é tingida de preto, ele vem com um marcador de páginas em tecido preto e a capa é uma obra de arte. Feita em tecido, como os antigos livros do século XIX, estampa um logotipo do morcego em baixo-relevo, mesma técnica utilizada na lombada, onde se destaca a caveira símbolo da editora. O fato é que o livro é lindo, mas fica a dica, a capa de tecido é bem sensível, você precisará ter um cuidado extra com esse livro, pois ele pode desfiar.

A versão gringa do livro é apenas mais um paperback na estante, não tem nada de mais, o que só ressalta o cuidado da DarkSide quando resolve traduzir e lançar um livro no Brasil. O design e a capa ficaram a cargo do estúdio Retina 78, e a impressão é toda feita no Brasil pela Geográfica. A tradução é perfeita e a revisão cuidadosa, embora alguma coisa tenha sido deixada para trás, mas nada que comprometa.

Se eu comprei o livro pela capa, posso dizer que não me arrependi. Já conhecia o trabalho de Marv Wolfman como roteirista de quadrinhos (Blade, Crise nas Infinitas Terras e Novos Titãs), mas não fazia ideia se ele seria um bom contador de histórias em prosa. Marv Wolfman se mostrou um escritor muito competente, conseguindo inserir muitas informações relevantes sobre o universo DC enquanto desfilava a galeria de personagens psicóticos de Gotham City. Ele mantém um bom ritmo narrativo, apesar do desafio que teve ao adaptar um game para o formato livro. Em algumas passagens parece que estamos em níveis de um game, mas ele faz o possível para não deixar transparecer que se trata de uma versão para um jogo.

A primeira publicação de Machado de Assis foram os versos de amor “Meu Anjo”, publicados no jornal “A Marmota”. Desde então o mulato de São Cristóvão revelou-se um escritor muito versátil, tendo transitado por diversos movimentos da literatura de sua época e por vários gêneros literários.

Um fato não muito conhecido da obra de Machado de Assis é sua incursão pela ficção científica, quando esse termo nem sequer existia. Esse fato não só atesta a genialidade do maior escritor brasileiro de todos os tempos, o imortal fundador da Academia Brasileira de Letras, como também atesta sua versatilidade.

Trata-se do conto “O Imortal”, o qual trata de um homem que se vê incapaz de morrer. Ao ler o conto evocamos figuras disseminadas em nosso mundo de cultura pop atual como o Highlander de Russel Mulcahy ou o Wolverine de Len Wein e John Romita (Marvel Comics).

No último Over Book ficamos conhecendo um pouco sobre domínio público. O direito autoral garante ao autor a proteção de suas criações literárias, afinal, essa criação tem seus custos, nem que seja no mínimo o custo de oportunidade: o autor poderia estar fazendo qualquer outra coisa no tempo em que está sentado à frente do teclado. Dito isso, as pessoas não podem sair por aí explorando Hans Solo e a princesa Léia, pois eles foram criados por George Lucas que vendeu esse direito para a Disney.

Mas e aquela história sobre o encontro de Hans Solo e Léia com o capitão Kirk que eu li naquele site de fanfic? Fanfic pretende ser algo feito pelos fãs e disponibilizada gratuitamente. De qualquer maneira, legalmente falando, fanfic é violação de direitos autorais. Mas os advogados da Disney não vão processar o Stormtrooper da ZL por que ele escreveu essa história na qual mil donuts foram lançados no poço de sarlacc. Não há interesse econômico. Mas se o Stormtrooper da ZL lançar esse livro na CCXP e ele vender que nem Coca-Cola no boteco, aí os melhores advogados da galáxia vão afiar suas canetas e abocanhar todos os lucros do pobre Stormtrooper da ZL.

Portanto, o que vale é o interesse econômico. Mas será que existem pessoas que discordam disso? Sim, e elas criaram um movimento cultural chamado Copyleft. Seu nome se origina do trocadilho com o termo copyright, literalmente, copyleft pode ser traduzido como "esquerdo de cópia" ou "permitida a cópia".

Se você não conhece a HQ “A Liga Extraordinária”, muito provavelmente conhece sua adaptação cinematográfica capitaneada por Sean Connery. O grande trunfo dessa obra é Alan Moore. O cara é meio pirado, mas é tremendamente talentoso, e um dos melhores da arte sequencial. Mas além disso, a liga traz como diferencial só utilizar personagens que estão em domínio público.

O que isso quer dizer?
Os direitos autorais (ou direitos de autor) duram por setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Além das obras em que o prazo de proteção aos direitos excedeu, pertencem ao domínio público também: as de autores falecidos que não tenham deixado sucessores; as de autor desconhecido, ressalvada a proteção legal para os conhecimentos étnicos e tradicionais. (Wikipedia).
A ideia de Alan Moore era criar uma Liga da Justiça da Era Vitoriana, juntando Mina Murray (de “Drácula”) Capitão Nemo (de “Vinte Mil Léguas Submarinas”), Allan Quatermain, Dr. Jekyll e Mr. Hyde, Hawley Griffin, (de “O Homem Invisível”) e o Professor Moriarty, arqui-inimigo de Sherlock Holmes.

Mas isso só foi possível graças às regras do direito autoral. Graças a essa regra 2015 foi o ano que “O Pequeno Príncipe” entrou em domínio público inundando as livrarias com lançamentos do livro preferido de nove entre cada dez misses. A abundância de um determinado título nas lojas é uma das principais vantagens dos defensores da legislação do domínio público. Outro motivo é que esse modelo incentiva a criação de novos trabalhos.

Luar de Vampiros, Giulia Moon, 1ª Edição, São Paulo-SP:
Scortecci, 2003, 128 páginas.
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O primeiro conto da antologia é Um tédio de matar, que segundo a autora foi o seu primeiro conto a ser publicado na internet, no grupo em que trocavam contos vários autores, entre eles Martha Argel. Nesse primeiro conto emerge uma personagem que será companheira fiel de Giulia Moon, a vampira novaiorquina Maya. Elegante e dissimulada, ninguém pode resistir aos poderes mentais de Maya. Maya retorna em mais dois contos, Uma Vampira em Nova Iorque, e no penúltimo conto da coletânea, Desejos são rubros, um conto que explora a tensão entre o desejo de se alimentar de seu mordomo Stephen e a necessidade de tê-lo como mordomo e protetor. Uma primeira personagem oriental se introduz no mundo gótico de Giulia Moon, o maléfico vampiro Makoto. Makoto é um vampiro adolescente criado anos atrás por Maya. Um ponto não elucidado nos contos de Maya é sua nacionalidade, afinal ela vive em Nova Iorque mas fala português, dando a entender que ela seria uma vampira brasileira radicada nos Estados Unidos.

O segundo conto da antologia é O Amante Noturno, onde a pequena Camila tem seu contato inesquecível com um ser da noite. O conto é uma visão romântica do mundo dos vampiros, no melhor estilo Anne Rice.

Monstros, vários autores, organizadora Georgette Silen, 1ª Edição, Paracatu-MG:
Buriti, 2014, 178 páginas.
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A antologia se inicia com o conto Caçada ao Monstro de Daniel I. Dutra, uma aventura no coração da selva amazônica.

O conto é bem escrito e prende a atenção desde as primeiras linhas. A história é bem interessante, sobre o mito do mapinguari, criatura do folclore amazônico. Apesar de partir de uma premissa um tanto quanto prosaica, a história tem um bom desenvolvimento, com dezenas de referências interessantes, teorias da conspiração e homenagens ao Cthulhu mythos (“Os mitos de Cthulhu”, conjunto de mitos criados por H. P. Lovecraft). O conto evocou em mim uma estranheza causada antes por obras como “A Ilha do dr. Moreau”. Dizer mais é dar spoiler, leia e tire suas próprias conclusões.

O conto Vendetta do Café é um conto com jeitão de causo caipira, sobre a criatura conhecida ente nós como Saci.

Na manhã desta quinta-feira, 08 de outubro de 2015, a Academia Sueca anunciou a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015. A vencedora é a jornalista e escritora bielorrussa Svetlana Alexievich, a 14ª mulher a ganhar o Nobel. O júri classificou a obra da autora inédita no Brasil como “monumento ao sofrimento e à coragem". O trabalho de Svetlana é marcado pelos grandes acontecimentos históricos do Leste Europeu, como a queda da União Soviética e o acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. Em “Voices from Chernobyl”, por exemplo, a autora entrevistou diversas vítimas 30 anos depois do desastre que devastou a cidade ucraniana. No início desse século, Svetlana sofreu perseguições por parte do governo bielorrusso e teve que deixar o país. Só em 2011, ela pôde retornar ao seu país.

O historiador e cientista político Moniz Bandeira foi indicado pela UBE (União Brasileira de Escritores) para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura 2015. Moniz Bandeira, que tem morada na Alemanha, é Doutor Honoris Causa pelas Faculdades Integradas do Brasil – UniBrasil, de Curitiba. É também portador da Bundesverdienst Kreuz (Erster Klasse), (Cruz do Mérito - Primeira Classe), conferida pelo governo da República Federal da Alemanha, Grande Oficial da Ordem de Rio Branco (Brasil) e comendador da Orden de Mayo (Argentina). E sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil e da Academia de Letras da Bahia.

O nome de Moniz Bandeira recentemente foi envolvido em uma polêmica nas eleições presidenciais brasileiras de 2014. O historiador enviou uma carta ao PSB logo após a queda do avião do candidato pelo partido na chapa de Marina Silva, Eduardo Campos. O conteúdo dessas cartas aparentemente poderiam ser interpretadas de diversas maneiras, na medida em que o historiador dava asas a teorias conspiratórias envolvendo a CIA, a agência de inteligência norte-americana, e a queda do avião de Campos. Essa carta cita a expressão "Regime Change" (mudança de regime), que significaria uma mudança de regime praticada pela CIA. As teorias conspiratórias a respeito de mudança de regime envolvem os eventos das mortes de Orlando Letelier (ex-ministro de Salvador Allende), Juan José Torres (ex-presidente da Bolívia), João Goulart (Jango), Juscelino (JK), todos mortos no ano de 1976. Os dois primeiros foram assassinados. Os dois últimos morreram em condições suspeitas e há um ex-agente da repressão uruguaia em liberdade condicional, no Brasil (RS) que afirma ter tomado parte na conspiração que matou Jango. A carta de Moniz também leva em consideração inúmeros relatos de jornalistas norte-americanos, os quais tem chamado a suspeita para o caso, como Wayne Madsen.

Stieg Larsson - Antes de Millennium, Guillaume Lebeau e Frédéric Rébéna, 1ª edição, São Paulo-SP:
Veneta, 2013, 64 páginas.
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Stieg Larsson - Antes de Millennium é uma biografia em quadrinhos trazidas a nós pelo trabalho do roteirista Guillaume Lebeau e Frédéric Rébéna.

Guillaume Lebeau é um escritor e documentarista francês, escritor de vários romances premiados e de dois ensaios sobre Fred Vargas e Stieg Larsson. Seu último romance “Le Troisième Pole”, um thriller ecologista, foi lançado em novembro de 2011. Produziu um documentário chamado “Ice Crime”, sobre a nova onda literária escandinava. Sobre essa nova onda o autor também escreveu Crimes Glacés, com as receitas culinárias dos pratos e das comidas descritas por esses autores em seus livros.

A Garota na Teia de Aranha, David Lagercrantz, tradução de Guilherme Braga e Fernanda Sarmatz Åkesson, 1ª Edição, São Paulo-SP: Companhia das Letras, 2015, 472 páginas.
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A Garota na Teia de Aranha é um livro que nasceu de uma disputa pelos direitos de publicação do espólio do autor sueco Stieg Larsson. O quarto livro da série Millennium foi anunciado em dezembro de 2013 pela editora sueca Norstedts, escrito por David Lagercrantz, autor sueco que ficou conhecido por ser o biógrafo de Zlatan Ibrahimović, o famoso atacante do futebol. Lagercrantz começou sua colaboração para o universo de Larsson do zero, ignorando o manuscrito em poder de Eva, a viúva, porém contando com o apoio da editora de Larsson, que era profunda conhecedora da obra. No livro “Stieg & Moi”, escrito por Eva Gabrielsson e Marie Francois Colombani, o que a viúva deixou escapar sobre esse manuscrito que não foi usado é que o quarto livro iria se chamar “Guds hämd”, em português “A Vingança de Deus”, e começaria com Lisbeth Salander no gelado Canadá, atormentada por fantasmas de seu passado.

O livro de Lagercrantz se inicia na América do Norte, mas não no Canadá, e sim nos Estados Unidos, seguindo a trajetória de alguns personagens que trabalham na NSA, a agência de espionagem norte-americana. O autor tentou ao máximo criar referências e horizontes para a trama, mantendo-se fiel, no entanto, ao espírito da obra. Para isso ele usa uma personagem que é citada muito superficialmente nos outros três volumes: Camilla, a irmã gêmea do mal de Lisbeth Salander.

Mikael Blomkvist recebe uma chamada misteriosa de uma fonte que promete lhe entregar um grande furo de reportagem, ao que ele responde:

“Se você me contar uma história longa demais e cheia de conspirações malucas, tentando me convencer de que Elvis está vivo ou que você sabe quem atirou em Olof Palme, eu volto imediatamente para casa” (posição 408).

Entrevista com Daniel Barros, autor de “Sorriso da Cachorra”, “Enterro sem Defunto” e “Mar de Pedras”. Cedida a Mauricio R B Campos em 30 de agosto de 2015.

Se queres ser universal, escreve sobre tua aldeia. Tolstoi.

Gostaríamos de ter feito essa entrevista ao vivo, tomando um J.B. on the rocks, mas não foi possível, pois o alagoano Daniel Barros está radicado em Brasília, DF, e o Over Shock fica no estado de São Paulo.
Mauricio R B Campos — Daniel Barros, “Mar de Pedras”, seu último romance, se passa na Ilha de Croa, em Alagoas, qual a sua relação com esse pequeno paraíso alagoano?
Daniel Barros — Jorge Amado dizia que todos os seus personagens tinham um pouco dele ou das pessoas que ele conhecia. Para mim, escrever sobre os ambientes funciona da mesma forma. A Barra de Santo Antônio, onde fica a Ilha da Croa, eram aonde ia quando não estava trabalhando. Vivi bons momentos da minha vida naquela “ilha”, momentos não tão excitantes como viveu Henry Melo, mas bons momentos. Oportunidade em que convivi com pessoas que me inspiram a escrever “Mar de Pedras”. Entretanto, os acontecimentos políticos relatados no romance não se limitam às pequenas cidades, afinal no Brasil inteiro surgem “novos” políticos com velhos sobrenomes: Sarney’s, Cunhas Lima’s, Barbalhos, etc. Para você ter uma ideia, em Alagoas o governado é filho do presidente do Senado, o prefeito de Maceió é filho do ex-governador de Alagoas, Guilherme Palmeira e neto do ex-senador Rui Palmeira. Essa “genética” é discutida em “Mar de Pedras”.

Nos seus livros sempre há a presença de um fotógrafo, qual a sua relação com essa profissão? Já trabalhou com fotografia? Pensa em trabalhar com isso? Ou é uma escolha puramente literária?
Sempre fui um entusiasta da captura de imagens. Ainda muito cedo me apaixonei pelas fotos de David Hamilton, Sebastião Salgado, Evandro Teixeira, Bubby Costa e Henri-Cartier Bresson — este me inspirou o nome para o personagem Henry Melo. Assim que me formei, comprei minha primeira máquina fotográfica. A intenção era fotografar movimentos sociais, mas infelizmente não conseguia ser espectador, acabava virando manifestante. Depois pensei em fotografar mulheres, mas não teria relacionamento que durasse (risos), então parti para paisagens e publiquei algumas fotos nos jornais em Alagoas, entretanto nunca atuei profissionalmente. E seguindo o caminho contrário do fotógrafo Araquém Alcântara, que sonhava ser autor de livros, eu sonhei ser fotógrafo e virei escritor.

L’Amour: 12 oz, Luciano Salles, 1ª Edição, São Paulo-SP:
Editora Mino, 2014, 64 páginas.
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Para Luciano Salles o amor é um grande enigma, um grande quebra-cabeças misterioso que cabe ao leitor desvendar. Na sua nova HQ autoral cabe ao leitor se debruçar sobre as belas e misteriosas páginas para argutamente decifrar as relações intrincadas que existem entre as personagens, ou mesmo criar subjetivamente essas relações como método de suprir lacunas propositalmente dispostas em um roteiro que versa sobre o tempo, o amor e a morte.

Para Luciano Salles o tempo tem peso: 12 oz. Oz é a sigla pra onça, uma onça (abreviada: oz, da antiga palavra italiana onza, agora escrita oncia) é uma unidade de medida de massa, sendo que 12 onças equivalem a 340 gramas. Doze onças é o peso da luva de boxe dos pesos pesados, em um universo onde não há espaço para amadores.

Mar de Pedras, Daniel Barros, 1ª edição, Brasília-DF: Thesaurus, 2015, 256 páginas.
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Mar de Pedras é o terceiro livro de Daniel Barros, que antes escreveu “O Sorriso da Cachorra” e “Enterro sem Defunto”. O escritor é policial civil do Distrito Federal, onde reside, mas o alagoano faz questão de honrar suas origens. A literatura de Barros é fortemente influenciada por Ernest Hemingway, mas remete também a Roth e Bukowski. O livro tem uma forte carga de erotismo, o protagonista Henry é um Hank Moody, um Henry Chinaski, um Don Juan moderno, um desses homens que nasceram com algum mel feromônico, que é certeza de boas histórias e muita confusão quando se vive cercado de belas mulheres, como é o caso do fotógrafo de moda em questão.

Nesse romance o escritor demonstra um esmero por tornar o livro mais acessível, buscando um número mais amplo de leitores. Isso fica claro em cuidados como uma estrutura de capítulos de leitura fácil, os parágrafos e os capítulos são curtos, não mais do que uma cena em cada um. A linguagem é clara sem perder o cuidado literário, temperado aqui e ali com uma pitada de expressões e modos de dizer regionais. A revisão de João Carlos Taveira é precisa e o cuidado gráfico da edição salta aos olhos.

Stieg Larsson sacudiu o mercado editorial com um soco no estômago chamado Millennium. Três livros fortes e vigorosos de denúncia dos vários tipos de mal tratos e humilhações às quais as mulheres vêm sendo submetidas nos últimos anos. Violências essas que a sociedade tenta ignorar com todos os subterfúgios da mais completa e refinada hipocrisia. Os livros de Larsson, que morreu de ataque cardíaco em 2004, venderam mais de 75 milhões de exemplares em 50 países, além de render quatro adaptações cinematográficas.

Stieg Larsson morreu antes de terminar sua obra, que se conjectura seria uma história contada em dez volumes, o que daria umas cinco mil páginas de mistério e aventura. Há teorias da conspiração sobre a natureza da morte prematura de Larsson, que era um ativista de esquerda, um homem de ideias e de ação, tendo inclusive viajado à Eritreia para lutar uma guerra socialista em solo estrangeiro.

O jornal Svenska Dagbladet informou, em fevereiro de 2004, que o escritor, autor de “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, encaminhou à polícia 15 caixas com papéis que, segundo ele, ligavam o assassinato do primeiro-ministro da Suécia Olaf Palme, morto a tiros em 1986, a um ex-militar sueco que teria ligações com os serviços de segurança sul-africanos. Olaf Palme era um crítico severo do regime apartheid da África do Sul. A informação sobre o crime foi manchete nos órgãos de imprensa de toda a Suécia. Como no caso do assassinato de Kennedy nos Estados Unidos, a morte de Palme deu origem a uma enxurrada de teorias conspiratórias.

Bizarro Fiction (Ficção Bizarra) é um gênero literário contemporâneo, que muitas vezes utiliza elementos de absurdo, sátira e do grotesco, junto com pop-surrealismo, a fim de criar trabalhos subversivos, estranhos, e divertidos. O termo foi adotado em 2005 pelas editoras independentes Eraserhead Press, Raw Dog Screaming Press e Afterbirth Books. Grande parte da sua comunidade gira em torno de Eraserhead Press, que tem sede em Portland, Oregon, nos Estados Unidos. A Eraserhead organiza uma feira sobre o tema, a BizarroCon, desde 2008. Essa mesma editora produziu também um guia para neófitos do gênero, o Bizarro Starter Kit (Guia do Iniciante em Ficção Bizarra). Na introdução desse guia há uma descrição do gênero: "literatura do equivalente a seção Cult na loja de vídeo" e um gênero que "se esforça não só para ser estranho, mas fascinante, instigante e, acima de tudo, divertido de ler." Uma das premissas do gênero é que ele traga para literatura aquele senso de estranheza que temos ao assistir filmes de diretores como Cronenberg, David Lynch (conheça a página de Lynch no Artsy clicando aqui), Takashi Miike, Tim Burton, e Lloyd Kaufman. De acordo com Rose O'Keefe da Eraserhead Press: "Basicamente, se um público tira sarro de um livro ou filme, principalmente devido à sua estranheza, então é Bizarro. Estranheza pode não ser só a qualidade atraente do trabalho, mas é a maior delas ".

Em geral, Bizarro tem mais em comum com os gêneros ficção especulativa (como ficção científica, fantasia e horror) do que com movimentos de vanguarda (como o dadaísmo e o surrealismo), que os leitores e críticos frequentemente associam enquanto o gênero pode colocar uma ênfase no cult, não é sem elogios da crítica. Livros de autores que identificaram ou foram identificadas como Bizarro tem sido elogiados por Lloyd Kaufman, Michael Moorcock e guardian.co.uk.

Inicio minha colaboração para o Over Shock com essa polêmica: surfando na web há um tempo atrás encontrei uma postagem de blog chamada Teapot Weather Forecast: Category 5. A foto ao lado trazia a seguinte legenda (I…have to read this book from Pink Narcissus Press? - Eu… tenho que ler esses livros da Editora Pink Narcissus?), K. Tempest Bradford ofendeu muitas pessoas criando um desafio de leitura. K. Tempest é crítico literário e mantém uma coluna onde comenta suas leituras. Após uma série de acaloradas discussões com os leitores de sua coluna que estavam reclamando que ele só comentava obras de autores homens brancos caucasianos, o autor lançou um desafio, por um ano iria ler apenas obras de autores que não fossem brancos, sis, ou heterosexuais.

Se você não tem a menor ideia do que é um cis, você não está só. Pelo menos por enquanto. Neste artigo de Bradford, se explica que cis (de cisgender) é uma pessoa que se identifica com o seu gênero de nascimento.

Bem, eu sou a última pessoa que daria esse conselho, afinal sou um escritor branco caucasiano heterosexual. Talvez a única minoria a que eu pertença, pensando globalmente, é ser um latino. Embora eu já tenha passado por norte-americano. Até abrir a boca. Mas então afinal, por que chegamos até aqui? Bem, isso me levou a pensar no nosso mercado. Se esse desafio fosse lançado no Brasil, iríamos ler o quê?