- O Triste Fim -

23 anos depois...

Os dias, as horas e os minutos passam muito rápidos e de repente se convertem em anos. Anos que passam em uma azáfama tão grande que é difícil se envolver em algo mais humano ou até mesmo divino.
Eduardo estava no cemitério ao lado do túmulo de Alice: 23 anos de sua partida e ele esperava, espera o dia no qual se reencontraria com seu grande, único e verdadeiro amor.
Ele sabia que embora não houvesse vivido seu verdadeiro amor em vida tinha certeza que Alice o esperava e que enfim, viveriam esse amor.
O amor de ambos sobrepujava qualquer coisa e permaneceria vivo mesmo que o nada reinasse.
Joana aproximou-se de Eduardo e perguntou:
_ Você sempre vem não é mesmo Edu? _ fazia muito tempo que os dois não se viam, Joana vivia em outra cidade desde que casou, mas sempre no aniversário de morte da prima visitava o cemitério para fazer orações.
_ Claro Jô, eu nunca vou deixar de vir aqui enquanto eu permanecer vivo.
_ Você a amava _ comentou Joana_ eu queria que vocês tivessem vivido esse amor, teria sido lindo!
_ Mas não foi... Foi trágico_ amargurou-se Eduardo_ eu não tive coragem de lutar por ela.
Joana abraçou Eduardo e disse:
_ Estava escrito Edu... E a história de vocês pode ter tido um triste fim, mas foi uma bonita história_ ela enxugou as lágrimas e prosseguiu_ você foi ótimo para ela, ensinou-a a amar e a viver intensamente este sentimento. Antes de te conhecer Alice era vazia, faltava algo... Ela nunca acreditava em amor e sentimentos puros e verdadeiros.
_ Às vezes é como se eu a visse Jô. Recordo-me de tudo: do sorriso, dos olhos, da voz dela... Às vezes me torturo e gostaria muito de estar ao lado dela... A vida não tem sentido Jô...
_ A vida tem sentido sim Edu. Você pode fazer tudo o que quiser e saberá que Alice esta cuidando de você.
Eduardo olhou para o túmulo de Alice cuja lápide tinha escrito: "Conheci e Vivi um grande Amor que ultrapassará a morte":
_ Sinto saudades dela e embora queira estar ao seu lado, permaneço vivo por ela.
Naquele dia quando Eduardo saiu do cemitério em seu CrossFox, pensava em Alice e não se deu conta quando o sinal de trânsito fechou...
FIM.

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Capítulo 5 / Capítulo 6 / Capítulo 7 / Capítulo 8
Capítulo 9 / Capítulo 10 / Capítulo 11
 


Autora: Camila Márcia V. Ferreira nasceu em Fortaleza (CE), atualmente reside em Bela Cruz, interior do estado, faz faculdade de Letras pela Universaidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e é a Bloggeira de Devaneios Fugazes.
Entrar em contato: E-mail: kmylla_m@hotmail.com Twitter: @camila_marcia

- Notícias -

Laura e Raul chegaram no hospital e encontraram Joana entre muitas lágrimas. O casal também estava chocando e quando souberam da morte de Alice ficaram desesperados.
Em meio ao desespero o casal pediu desculpas a Joana por tudo o que tinham feito com a sobrinha.
Joana falou para os pais da viagem de Eduardo, da depressão da prima, da solidão, das cartas e do suicídio.
_ Jô, sinto muito pelo que houve, sinto-me tão mal, tão culpada que não consigo me perdoar _falou Laura _ estou muito arrependida de toda a maldade que fiz com Alice, ela era, sim, uma boa menina, o problema era eu, nuca consegui perdoar o que aconteceu entre a mãe dela e eu.
Joana olhou para a mãe e perguntou:
_ O que aconteceu entre você e a titia?
_ Raul não sabe, mas minha irmã casou-se com o pai de Alice e eu nunca a perdoei por isso, eu o amava e ela sabia disso, no entanto, casou-se com ele e o pior: morreram os dois juntos. Fiquei tão magoada Joana que não podia acreditar que agora eu jamais o veria e que ainda por cima, teria que cuidar da filha deles. O meu rancor, a minha raiva passou toda para ela, queria me vingar _ entre as lágrimas suspirou_ então me revoltei quando soube que Alice estava namorando e você não, imaginei que você passaria pelo mesmo que eu sofri.
Raul, que ate então, escutava tudo em silêncio falou:
_ Eu também estou arrependido por ter maltratado Alice, por ter ido contra o romance dela com Eduardo, gostaria tanto de voltar atrás e fazer tudo diferente! Você acha Joana que podemos fazer algo ainda?
_ Mãe, estou chocada com o que me disse, não posso acreditar nisso!_ falou Joana desesperada com a revelação_ acho que vocês fizeram o que fizeram por motivos errados. Melhor: sem motivos algum, Alice nunca teve culpa de nada.
Joana caminhou pela sala e falou chorando:
_ Eu preciso entrar em contato com o Edu, entregar a carta, mas não sei como fazer isso, não sei para onde enviá-la.
_Vou falar com o pai dele_ anunciou Raul_ tenho certeza que ele me dirá quando eu explicar a situação.
_ Faremos tudo o que for possível Joana_ falou Laura_ agora minha filha, vá descansar.
_ Mãe e pai, queria que soubessem que apesar de tudo, Alice me mandou dizer a vocês que ela não guardava mágoa.
Joana foi sentar-se numa cadeira enquanto Raul e Laura telefonavam para os pais de Eduardo.
Após os telefonemas Raul voltou e comunicou a filha:
_ Eduardo está voltando. Provavelmente chega pela noite.
_ Vamos cuidar de tudo Joana, não se preocupe minha filha _ falou Laura já com os olhos marcados pelas lágrimas.
Joana não podia imaginar como Alice tivera coragem de fazer aquilo, não conseguia aceitar a morte da prima. As duas foram criadas juntas, era como se fossem irmãs.
Nada mais podia ser feito, Joana foi para casa enquanto Laura e Raul cuidavam do velório.
Pela noite Eduardo chegou e foi direto para a casa de Joana.
Os dois se abraçaram e Eduardo disse:
_ Eu a amava Jô, embora você achasse que não, pensei que o que eu estava fazendo fosse o melhor para nós dois.
_ Na verdade Edu, as vezes o melhor não é fugir mas sim lutar _ falou Joana_ agora é tarde, ela já se foi.
_ Onde está a carta? _ perguntou Eduardo.
Joana pegou a carta e entregou a Eduardo.
Eduardo já estava com os olhos inchados de tantas lágrimas e ao pegar na carta chorou. Abriu-a e leu:

Eduardo,
Meu único e grande amor.
Não sei onde você está neste momento, mas você se foi para longe de mim, não me permitindo uma despedida, você me pegou desprevenida e embora na sua carta você pedisse para que eu continuasse a viver normalmente eu jamais conseguiria.
Sempre escutei as pessoas dizerem que após se encontrar o amor às coisas mudavam tanto que era impossível viver sem ele, não acreditava. Hoje, entretanto, acredito e sei o quanto é verdade.
Não posso, e mesmo que quisesse não conseguiria mais viver sem você.
Eu te amo e essas três palavras não significam nada se comparado com o que elas expressam.
Quero apenas te dizer Edu, que é você que tem meu coração e minha alma: cuida bem deles, ok? Pois eles sempre estiveram com você.
Sempre irei te amar onde quer que eu esteja, pois este sentimento que humaniza as pessoas é infinito e ultrapassa tudo até mesmo a morte. Nunca duvide do meu amor por ti.
                                                                                Ass.: Alice.
 
Eduardo chorava demasiadamente:
_ Jô, a culpa é minha, eu deveria ter ficado e lutado por Alice, eu a amo tanto e isso que está acontecendo é um pesadelo para mim, queria poder abraçá-la, beijá-la e não posso mais.
Laura, Raul, Joana e Eduardo choravam e não sabiam o que fazer diante de tanta dor, tanto sofrimento. Que atitudes tomar quando não se sabe o que fazer para o mudar o que aconteceu?
A dor da morte só é sentida por aqueles que permanecem vivos.

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Capítulo 9 / Capítulo 10

Autora: Camila Márcia V. Ferreira nasceu em Fortaleza (CE), atualmente reside em Bela Cruz, interior do estado, faz faculdade de Letras pela Universaidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e é a Bloggeira de Devaneios Fugazes.
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- Decisão -

Os dias passaram e Alice, enfim, pode sair do hospital sem maiores conseqüências do acidente que sofreu. No entanto, para ela teria sido melhor a morte, pois a dor que sentia pela falta de Eduardo era um tormento, não conseguia tirá-lo dos pensamentos e muito menos do coração.
Mesmo com a ajuda de Joana, não estava sendo fácil superar a ausência de Eduardo. Alice havia entrado em depressão e por mais que tentasse se controlar tinha crises de choro e momentos de revolta.
Quando Alice voltou para o hotel e se viu sozinha foi um desespero, os melhores momentos, se é que se podiam dizer melhores, era quando Joana ia visitá-la. Assim que a prima saia e ela ficava em sua solidão, desabava em lágrimas, e um desespero, uma não aceitação de ter lutado tanto por alguém que não fez nada para permanecer ao lado dela.
Mesmo sem conseqüências graves do acidente, Alice não foi mais trabalhar e, pelas faltas, perdeu o emprego. Diego Fontes, seu patrão, foi muito bondoso com ela enquanto esteve no hospital, mas não pode perdoá-la pelas faltas desmotivadas após sua recuperação e, assim, mandou-lhe avisar do cancelamento do contrato.
_ Alice você precisa sair deste quarto_ dizia Joana sempre que ia visitá-la.
Alice evitava abrir até mesmo as cortinas e janelas do quarto, não saia do hotel e ficava numa reclusão:
_ Não tenho para onde ir Jô. Perdi a vontade de viver!_ respondia a prima deitada na cama coberta pelos lençóis.
_ Não pode ser assim, você precisa fazer alguma coisa, tem que sair, trabalhar... Se você se desse uma oportunidade tenho certeza que conseguiria superar esses problemas Alice.
_ Dê-me um tempo Jô, por enquanto eu não consigo fazer nada_ chorou Alice.
_ Já não suporto te ver neste torpor Alice_ confessou Joana_ estou altamente preocupada com você, não é normal.
_ O que eu sentia pelo Edu era muito forte. Ele para mim se constituiu minha vida.
_ Mas... _tentou argumentar Joana_ vocês nem ao menos tinham um relacionamento normal... Se você parasse para pensar, deixar a voz da razão falar mais alto que a da emoção, perceberia que provavelmente esta separação foi o melhor que pode acontecer. Vocês dois eram incompatíveis Alice, primeiro porque você costuma lutar e se entregar por aquilo que acredita e ele não, segundo porque este relacionamento desde o princípio estava fadado ao insucesso e ambos, tanto você quanto ele sabiam desse risco_ respirando um pouco continuou_ às vezes quando fico pensando me sinto culpada pelo que você esta passando, já que de certa forma eu fiz de tudo para vocês ficarem juntos, agora percebo que errei e que jamais deveria ter me envolvido. Queria poder mudar o passado.
Alice passava os dias nesse torpor, nestas crises: jamais poderia se conformar que de tudo o que fez tinha resultado em nada, mas mesmo diante desta inconformação percebeu que dificilmente um namoro dará certo se desde o princípio ele for conturbado.
Eduardo tinha sido um céu e agora estava sendo seu inferno particular, como as pessoas mudavam, como um homem tão fascinante tinha se tornando uma pessoa tão covarde incapaz de lutar por seu amor? Ora, talvez ela não fosse seu verdadeiro amor, no entanto, como não ser, se ele sempre repetia que a amava?
O coração e os pensamentos de Alice verberavam-na incontrolavelmente. Quando as pessoas sofrem tanto elas não são capazes de se controlar e muito menos controlar seus pensamentos, um misto de loucura com ódio se formava, mas não era ódio de Eduardo e sim dela mesma, pois pensava que algo mais poderia ter sido feito para mudar este destino, e culpava-se por não ter feito, por em vez de ter saído correndo e impedido seu amor de partir, tinha pedido para a prima fazer isso, imaginava que se em vez da prima tivesse sido ela a ter aparecido no aeroporto o curso das coisas teriam sido diferentes e provavelmente Eduardo estaria ao seu lado neste momento.
Suposições, meras suposições. Será que teria sido mesmo diferente?
Certa noite, quase um mês após a partida de Eduardo, Alice teve um sonho: ela estava ao lado dele de mãos dadas após uma noite de amor. Acordou gritando. Angustiada chorou pelo fato de aquilo ter sido realmente apenas um sonho. Nunca viveria um momento tão significativo como aquele com Eduardo, não mais. Aquele pensamento fez-lhe doer o coração.
Pela manhã ela resolveu sair da cama, olhou pela vidraça da janela a rua: o dia estava lindo, o sol estava radiante e tinha um pouco de neblina no ar, uma manhã perfeita para dividir com alguém, mas ela não tinha ninguém com quem dividir.
Caminhou até o banheiro e olhando-se no espelho viu uma outra Alice:
Há quanto tempo evitava mirar-se no espelho?
O seu reflexo mostrava uma Alice com cabelos desgrenhados, pálida, com olhos inchados e olheiras profundas.
Quantos anos ela aparentava ter? Provavelmente muito mais do que o que ela realmente tinha.
Alice pensou: "Não agüento mais... talvez seja o mais sensato, ou talvez não... mas será feito".
Caminhou para uma mesinha e tirando alguns papéis escreveu duas cartas uma destinada a Joana e outra a Eduardo. Deixou-as sobre a mesa e foi para a cama.
Alice passou a vista pelo quarto e sentando-se na cama abriu simultaneamente a gaveta da mesinha de cabeceira, tirou um frasco de comprimidos e engoliu algumas cápsulas. Suicídio.
Quando as pessoas não encontram ou não conseguem enxergar uma saída para seus problemas elas optam pela morte achando que assim irão se libertar. Muitas vezes esta 'única' saída é ilusória, pois as pessoas que permanecem sofrem pelo fim da que se foi. O morto não tem mais problemas a resolver, no entanto, deixa muitos a serem resolvidos.
Por volta do meio-dia daquele trágico dia, Joana foi visitar a prima, chegando ao quarto, após chamar insistentemente pela prima e não obter resposta alguma, foi a recepção perguntar pela prima:
_ Não ela não saiu do quarto, como sempre, ela nunca sai_ respondeu a moça que estava atrás do balcão.
_ Alguma coisa deve ter acontecido, pois Alice não me responde_ desesperou-se Joana_ precisam abrir aquele quarto!
Joana explicou o estado da prima e temerosa implorou para que pegassem a chave reserva e abrissem o quarto.
Assim o fizeram.
Ao abrirem aporta Joana viu Alice deitada na cama e correu para a prima que já estava inconsciente. O gerente do hotel chamou uma ambulância.
Joana viu o fraco do remédio na cabeceira da cama e chorando desesperadamente ficou esperando a ambulância.
Os hóspedes começaram a se aglomerar diante da porta do quarto.
O gerente viu as cartas sobre a mesa e entregou-as para Joana, que distinguiu, entre as lágrimas, seu nome e o de Eduardo.
A ambulância chegou e rapidamente removeu Alice do hotel, levando-a para o hospital.
Na sala de espera, muito angustiada Joana lembrou-se das cartas, abriu a bolsa e pegou a que era destinada a ela, entre lágrimas, leu:

Joana,
Sinto muito.
Estou desesperada e não vejo mais motivo para que eu continue viva, para mim, em particular, já não vivo desde a partida de Eduardo e sei que por mais que tente, não poderei mais recuperar minha vida de volta, jamais terei vontade de me apaixonar, trabalhar, entre outras coisas que as pessoas normais fazem, perdi o gosto para tudo isso.
Errei por ter entregado minhas esperanças e minha vida nas mãos de Eduardo, mas  pensava que seriamos felizes e, se antes não havia tomado a decisão que hoje tomei, foi porque, mesmo sem querer assumir em voz alta, tinha esperanças de que ele se arrependesse, reconhecesse o erro e voltasse para meus braços e outrossim me levasse embora com ele.
Jô responda-me, se puder, de que vale viver sem ter o amor? De que vale a vida se você perdeu o gosto de viver? Será que vale a pena viver sem a felicidade?
Não quero que me julgue inconseqüente, nem que tente compreender o incompreensível, pois determinadas coisas só são compreendidas quando vividas pessoalmente e eu, não quero que você viva isto que vivi.
Para mim não vale a pena viver sem ter o amor, não vale a pena ser infeliz a vida inteira só porque viveu alguns momentos de felicidade ao lado de quem você ama, mas que sabe, jamais poderão se repetir.
Não quero que culpe Eduardo pelo que eu fiz, ele não tem culpa. Ele me queria ver viva e feliz, mas eu percebi que não há vida longe dele, viver sem tê-lo do meu lado é comparado à morte. Mesmo ele distante de mim continuo amando-o com a mesma intensidade e mesmo após a morte sei que continuarei amando-o.
Saiba Jô que não estou me justificando ao expressar através de palavras o que estou sentindo, só queria que você soubesse todos os dilemas e inseguranças pelos quais tenho passado, para assim você não me julgar com tanta brutalidade.
Dessarte, quero agradecer por tudo o que você fez por mim, por ter me defendido ao máximo dos seus pais, por ter me ajudado com o Edu, enfim, não encontro palavras para expressar o quanto te agradeço.
Jô, sobre meus tios, diga-lhes que embora eles tenham me ajudado diante da morte de meus pais, queria que eles tivessem me ajudado com o Edu e não terem sido tão contra, pois foi culpa deles eu ter sofrido tanto e não ter vivido meu amor, mesmo assim, não guardo mágoa, porque me dei conta que eles devem ter tido seus motivos para me odiarem tanto, motivos este que ignoro.
Obrigado, Joana amo muito você e sei que pode não concordar com minha decisão, mas espero que consiga ao menos aceitá-la, pois estou em paz agora.
Sei que é patético pedir para que não sofra pela minha morte, mas veja pelo meu lado Joana, não tinha, mas sentido viver, eu estava uma morta-viva...
Por último, queria te fazer um pedido, quero que tente ao máximo enviar a carta que deixei para Eduardo, gostaria muito que ele a recebesse e lesse.
                                                                                                  Ass.: Alice.


Joana ficou desesperada, lágrimas escorriam por seu rosto incontrolavelmente.
Os médicos vieram até ela e informaram que não podiam mais fazer nada por Alice, ela havia morrido.


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Capítulo 9

Autora: Camila Márcia V. Ferreira nasceu em Fortaleza (CE), atualmente reside em Bela Cruz, interior do estado, faz faculdade de Letras pela Universaidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e é a Bloggeira de Devaneios Fugazes.
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- A Viagem -

Enquanto Alice permanecia no hospital totalmente desconsolada e chorosa, Joana havia corrido para a casa de Eduardo, chegando lá informaram a ela que ele já tinha ido para o aeroporto com os pais.
Joana correu contra o tempo, foi para o aeroporto e desesperadamente correu para procurar Eduardo, ela tinha que impedir a viagem dele, Alice não suportaria!
Encontrou-o e disse:
_ Edu, precisamos conversar...
Eduardo olhou para a amiga e afastando-se dos pais disse:
_ Jô, eu não esperava vê-la aqui...
_ Não sabe porque vim?_ interrompeu.
_ Imagino _ respondeu Eduardo olhando para o chão.
_ Você não pode viajar Edu. Não pode deixar Alice!
_ Eu não queria ter que ir Jô, mas não posso ir contra meus pais... não tenho escolha.
_ Como não tem escolha? Você não quer ir? Então por que vai?
_ Você não entende..._ falou ele meneando a cabeça_ não é capaz de entender: se eu ficar nem Alice nem eu ficaremos juntos, jamais poderemos ser felizes.
_ Não é esse o problema Edu _ falou Joana peremptoriamente _ você não a ama.
Eduardo encarou Joana e disse com lágrimas nos olhos:
_ Eu a amo muito e é por isso que estou deixando-a. Se você soubesse que jamais seria feliz ao lado da pessoa que a ama, seria capaz, mesmo assim, de condená-la ao sofrimento por puro egoísmo? _ as lágrimas escorriam pelo seu rosto _ sei que não posso fazê-la feliz sem magoar meus pais e, nunca seria capaz de decidir contra eles: eu sou o filho que restou.
Joana virou as costas para o amigo e disse:
_ Isso se chama covardia. Você é um covarde Eduardo. Alice enfrentou meus pais, saiu de casa, alugou um quarto de hotel, começou a trabalhar, tudo para ficar com você e olha o que você faz? A abandona por pura covardia de lutar _ e olhando para ele disse_ se você realmente a amasse, você enfrentaria seus pais Edu... Um dia eles iram compreender que é o amor que faz as pessoas melhores, que dá forças para elas realizarem seus sonhos. Se eu não sou capaz de entender seu ponto de vista, você não foi capaz de ver o quanto Alice fez por vocês dois.
Pelo interfone, uma voz pedia para que os passageiros fossem para a fila de embarque.
_ Jô, cuide dela para mim, eu não posso mais desistir da minha decisão_ pediu Eduardo.
_ Você até pode desistir Edu, mas não quer_ falou Joana tristemente_ eu não acredito que você vá fazer isso com ela...
_ Jô eu preciso realmente ir...
_ Eu sempre estive do seu lado Edu, hoje me arrependo porque vejo que você não a merece, nunca a mereceu, você é um covarde! Pessoas como você levam a vida a fugir  do amor, das decisões, pessoas como você desistem pelo simples fato de se acovardarem diante de pequenos problemas.
Eduardo enxugou as lágrimas, deu as costas a Joana e caminhou para o embarque.
Joana ainda permaneceu alguns minutos parada, tinha um leve esperança de que ele desistisse nos últimos minutos, mas ela fracassara, não conseguira convencê-lo a desistir. Todos os seus esforços foram embalde. Ela soltou um suspiro e saiu a passos lentos do aeroporto.
Eduardo entrou no avião e olhando pela janela deu seu ultimo adeus a seu grande e único amor. Talvez ele fosse mesmo um covarde...
Joana pegou um táxi e foi para o hospital, não podia evitar o que tinha que anunciar para Alice. Não queria que a prima sofresse, mas não tinha como mentir para ela, não tinha como evitar a fatídica notícia. Precisava falar tudo e a prima tinha que ouvir a verdade.
_ Então Jô, como foi? _ perguntou Alice com os olhos cheios de lágrimas.
_ Desculpe Alice, mas não tive como evitar_ respondeu Joana sentando-se, na cama, ao lado da prima.
Alice começou a soluçar desesperadamente:
_ Eu imaginei, eu senti um aperto no meu coração, uma tristeza profunda_ olhando para a prima perguntou_ o que vou fazer agora? Eu não tenho mais ninguém Jô... Ele era a minha vida!
_ Alice você não esta só, você tem e sempre terá a mim.
As duas abraçaram-se:
_ Obrigada Jô, sei que posso contar com você, mas como viver sem um amor? Como viver sem meu coração?
Joana tentando enxugar o rosto da prima falou:
_ Ele não merecia você. Não sofra tanto.
_ Não adianta você tentar me consolar com esse argumento de que ele não me merecia, que eu sou boa demais para ele, não irá funcionar. Como dizer ao coração algo que ele não quer, se recusa, a ouvir? Como explicar para um coração despedaçado que a culpa não é minha?
_ Mas a culpa não é sua Alice_ gritou Joana_ ele que foi um covarde por não ter lutado, por não ter fugido com você. Ele quem decidiu fugir de você!
_ Eu deveria ter ido atrás dele_ falou Alice inconformada_ eu não devia tê-lo deixado sair daqui.
_ Você fez tudo o que podia ser feito_ alegou Joana_ doravante não se culpe por não ter dado certo este relacionamento.
Alice não parava de chorar. Joana ficou abraçada a prima até esta dormir. Nada  poderia mudar o que havia acontecido.

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- A Carta -

No dia seguinte, pela manhã, Eduardo foi visitar Alice no hospital. Depositou um beijo terno na face de Alice e os dois ficaram conversando por um tempo.
_ Fiquei preocupado com você Alice, gostaria de ter vindo ontem lhe ver, mas não pude _ falou Eduardo.
Alice percebeu algo de estranho no namorado, pois este evitava encará-la desde o momento em que entrou no quarto:
_ O que está acontecendo Edu? _ perguntou preocupada.
_ Não se aflija Alice, é que meus pais têm me pressionado_ informou ele _, mas não vamos falar sobre isso.
Mudaram de assunto. Por cerca de uma hora Eduardo permaneceu ao lado de Alice, depois se despediu dizendo que tinha que ir trabalhar, chegaria atrasado.
Beijaram-se e ele entregou a ela um envelope. Alice o olhou curiosa e perguntou:
_ O que é isto?
_ Alice, quero que você leia esta carta.
_ O que você tem para me dizer que não o passa fazer através de palavras? Por que tem que ser algo escrito?
_ Meu amor _ falou ele pausadamente _ tem coisas que um homem não consegue falar! _ beijando-a novamente acrescentou _ desculpe, mas tenho que ir agora.
Alice observou-o sair do quarto e trancar a porta, olhou para a carta que ele havia depositado em suas mãos e criando coragem abriu-a e leu o seguinte:


Meu amor,

Recordo-me com precisão o momento mágico em que lhe vi pela primeira vez, seus movimentos, seu sorriso, tudo em você me fez amá-la cada vez mais.
Não consigo compreender por que temos que passar por tantos problemas para ficarmos juntos! Queria poder passar a minha vida ao seu lado, pode parecer egoísta, mas queria você totalmente para mim, no entanto, eu não posso seguir te amando, tenho uma dívida com meus pais e eles não aceitam o nosso relacionamento.
Meus pais querem me mandar para fora do país. Alice, eu não queria ir, mas preciso, não posso ir contra aqueles que me geraram, que me amaram a vida inteira.
Sei que tudo isto te fará sofrer, eu sofrerei também. Porém, o que mais tem me machucado é a idéia de deixá-la sozinha após tê-la feito sair da casa dos seus tios.
Alice, eu sei que sou um covarde por não lutar pelo nosso amor, sei que você seria capaz de tudo para concretizá-lo, entretanto, eu não sou capaz de dar este desgosto para os meus pais: eles morreriam!
Imagino o que irá sentir, mas peço: por favor, compreenda-me.
Amo-te, mas antes de tomar esta decisão, eu pensei não só em meus pais, pensei em nós e percebi que nosso amor não é possível, que nunca poderíamos ser felizes tendo todos contra nós.
Agora esta decisão pode parecer descabida, terrível, mas após algum tempo e você refletir perceberá que foi para nosso bem.
Eu te Amo, e mesmo longe vou continuar te amando, mas quero lhe pedir que seja feliz, que encontre sua verdadeira felicidade e que não volte a se submeter às atrocidades de seus tios.
                                                                                           Ass.: Eduardo.
 
Ao terminar a carta Alice estava banhada em lágrimas e não entendia como Eduardo era capaz de fazê-la sofrer tanto. Estava perplexa.
_ O universo conspira contra o nosso amor... _ sussurrou.
Ela se levantou da cama e pegando o celular que Joana tinha deixado sobre uma mesa, ligou para a prima. Joana percebendo o desespero da prima perguntou:
_ Alice o que houve?
_ Jô é o Edu... Ele vai me deixar, corre, vai falar com ele...
Em linhas gerais Alice informou Joana do acontecido:
_ Calma _ pediu Joana_ eu vou falar com ele, não se preocupe, vai dar tudo certo. Depois vou te visitar.
As duas desligaram, Alice retornou ao leito e chorou.


A Autora: Camila Márcia V. Ferreira nasceu em Fortaleza (CE), atualmente reside em Bela Cruz, interior do estado, faz faculdade de Letras pela Universaidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e é a Bloggeira de Devaneios Fugazes. 
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- O Acidente -

Os dias passavam tão rapidamente que Alice custava a se situar, sua vida estava indo bem no que consistia a seu trabalho, pois estava se saindo muito bem, já em relação a Eduardo, tudo estava muito difícil. Eduardo era forçado a trabalhar o dia todo na empresa do pai para que assim não tivesse tempo de se encontrar com Alice, além do mais, seus passos eram constantemente vigiados. Havia dias que as tentativas de se encontrarem eram totalmente improfícuas devido a tantos obstáculos.
Alice sofria com essa situação, tinha saído de casa para viver seu grande amor por Eduardo e via que não estava tendo muitos resultados já que os pais deles faziam o possível e o impossível para impedirem a relação. Eduardo sentia-se se sujeitava a pressão dos pais já que sentia-se culpado pela morte do irmão: "Alice, eu não posso dar mais um desgosto para os meus pais!" dizia ele tristemente, "Você não pode passar a vida inteira como um fantoche de seus pais!", indignava-se Alice.
Tirando as pequenas discussões que os dois tinham a respeito deste assunto, os dois quase nunca discutiam.
O que mais revoltava Alice era o fato de ela ter largado tudo para viver esse amor, e Eduardo não tinha coragem de enfrentar os pais e assumir que a amava e que não podia viver sem ela.
E foi pensando destes problemas que Alice foi trabalhar e ao atravessar a rua não se deu conta de um carro vindo em sua direção.
O baque. Os gritos. O corpo inerte rolando pelo chão. As pessoas correndo. A ambulância. Os paramédicos. O hospital. Tudo parecia em câmera lenta.
Laura e Raul foram informados do acidente da sobrinha. Querendo não aparentar preocupação foram ao hospital e perguntaram para uma enfermeira como Alice estava:
_ A moça sofreu um acidente ao atravessar uma avenida _ respondeu a enfermeira _ esta muito machucada, mas irá ficar bem. Em suma, esta fora de perigo.
Laura e Raul mostraram desinteresse e não quiseram entrar no quarto da paciente para vê-la. Neste momento Joana chega e pergunta aflita:
_ O que houve? Onde está Alice? Como ela está?
Laura olhou a filha com desdém e respondeu:
_ Controle-se Joana! Alice esta fora de perigo. Vamos embora agora.
Joana arregalou seus olhos e disse:
_ Vão embora, como assim? Alice acabou de sofrer um acidente e vocês vão embora sem ao menos vê-la?
_ Joana, Alice provocou tudo isso _ falou grosseiramente Raul _ já fizemos muito por ela, inclusive pagar a conta deste hospital!
_ Não queremos vê-la, provavelmente ela também não ficará feliz em nos ver _ corroborou Laura _ os médicos que cuidem dela. Foram pagos para isso!
Os dois viraram as costas e saíram do hospital.
Joana ficou por alguns momentos inerte - como seus pais podiam ser tão perversos? -, jamais conseguiria entender o que ela tinha feito para merecer pais tão horrorosos. Pedindo informação do quarto de Alice, Joana caminhou para lá.
Alice dormia. Joana apoderou-se de uma poltrona ao lado da cama e ficou vigiando o sono da prima.
Quando Alice acordou falou:
_ Oi Joana?!
Joana levantou-se animada e disse:
_ Alice... Como você está se sentindo?
Alice contou-lhe que estava com dores no corpo e em seguida perguntou preocupada:
_ O Edu sabe que estou aqui?
_ Sim _ respondeu Joana _ avisei-o assim que soube o que tinha acontecido, ele até disse que viria lhe ver, mas creio que os pais o tenham impedido.
Alice não pode evitar uma lágrima cair de seus olhos:
_ Por que ele não os enfrenta Jô, será que ele não me ama o suficiente?
_ Ele a ama Alice, no entanto ele se martiriza pela morte do irmão...
Alice balançou a cabeça de forma negativa e perguntou:
_ Seus pais... Meus tios... Sabem o que aconteceu?
_ Sim. Eles estavam aqui, mas não quiseram lhe ver Alice _ respondeu Joana de forma sincera _, mas não se martirize por isso, meus pais são duas cobras, é bem melhor que não estejam aqui.
As duas ainda conversaram por algum tempo até que Alice já se encontrava cansada e mandou Joana para casa, assim ambas poderiam descansar.


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A Autora: Camila Márcia V. Ferreira nasceu em Fortaleza (CE), atualmente reside em Bela Cruz, interior do estado, faz faculdade de Letras pela Universaidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e é a Bloggeira de Devaneios Fugazes.  Entrar em contato: E-mail: kmylla_m@hotmail.com  / Twitter: @camila_marcia  

- O Emprego -
Quando Alice saiu de casa começou a ponderar sobre seu futuro e sobre as dificuldades que encontraria em seu presente. Ela não tinha como se manter, mas reconhecia que todos os problemas são apenas barreiras que se deve aprender a ultrapassar, no entanto, ela precisava de um trabalho, não poderia ficar dependendo da mesada de Joana (se é que esta ainda iria receber mesada depois de ter enfrentado os pais).
Uma semana após ter saído de casa e de ter se restabelecido dos hematomas provocados por Laura, Alice foi a procura de emprego. Sua ingenuidade não foi capaz de preveni-la o quanto era difícil se empregar!
Sua vida financeira não estava muito boa e seu relacionamento com Eduardo resistia a alguns empecilhos proporcionados por Laura e Raul que desumanamente tinham dito aos pais dele que Alice era uma caçadora de homens ricos, que não amava Eduardo e só estava interessada em sua herança. Entretanto, Eduardo fazia todo o possível para encontrar-se com Alice e também a ajudava com dinheiro, afinal, ele achava que tinha uma grande parcela de culpa por ela ter saído de casa, não a deixaria passar necessidades.
Alice não gostava da situação, achou que ao sair da casa dos tios e ir morar sozinha seria mais fácil de encontrar-se com Eduardo, jamais supôs que seus tios iriam inventar tamanha monstruosidade. Mesmo assim, Alice procurava manter o pensamento positivo e continuava sonhando com a consumação de seu amor com Eduardo e de conseguir um emprego.
Já ia fazer um mês que ela tinha saído de casa, quando ela viu num jornal um anúncio de emprego: "Precisa-se de uma Recepcionista...", anotou o endereço e correu para lá levando consigo seu currículo carente de experiência, mas ela não podia perder a esperança e também tinha a certeza de que era capaz de fazer qualquer coisa desde que ela se comprometesse.
Chegando no local, ela foi atendida por uma secretária que a pediu que esperasse um pouco. Quando finalmente ela foi direcionada para uma sala, foi recebida por um homem perfeitamente vestido com um terno de muito bom gosto:
_ Bom dia? Sou Diego Fontes.
_ Bom dia! Chamo-me Alice Ferreira, estou aqui por causa do anúncio de emprego colocado no jornal.
_ Dásili (a secretária), informou-me. Sente-se _ falou indicando uma poltrona a sua frente _ gostaria de ver seu currículo, você o trouxe?
_ Sim sr. Fontes _ respondeu Alice cruzando os dedos para que tudo desse certo.
Fontes e Alice tiveram uma conversa estritamente profissional, ela o informou que necessitava desse emprego e ele, mesmo considerando sua falta de experiência e qualquer tipo de profissão ficou sensibilizado e contratou Alice.
_ Você pode preencher estes documentos e entregá-los para Dásili, ela irá cuidar de tudo.
Era sexta-feira, o seu primeiro dia de trabalho iniciaria na segunda-feira.
Alice foi para o hotel e fazendo uma conferência pelo celular, informou simultaneamente a Joana e a Eduardo seu sucesso na busca por emprego.
Estava ansiosa para que logo chegasse segunda e pudesse trabalhar.
A Autora: Camila Márcia V. Ferreira nasceu em Fortaleza (CE), atualmente reside em Bela Cruz, interior do estado, faz faculdade de Letras pela Universaidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e é a Bloggeira de Devaneios Fugazes. Entrar em contato: E-mail: kmylla_m@hotmail.com  / Twitter: @camila_marcia